Sampaoli diz que "redes sociais são um esgoto" e atira: «Jogadores têm dinheiro, mas vivem em prisões VIP»
Treinador argentino garante ainda que "já não existe a felicidade de jogar à bola"
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Desempregado desde que deixou o Flamengo, no ano passado, Jorge Sampaoli deu uma entrevista ao jornal 'El Pais' onde traça um retrato sombrio do futebolista moderno. O antigo selecionador da Argentina, que treinou, entre muitos outros, o Sevilha e o Marselha, diz que os jogadores hoje em dia estão reféns das redes sociais.
"Acaba o jogo e vão ver quantos quilómetros correram ou as assistências que fizeram. O ego e a autosalvação dos que nesse dia se destacaram faz com que se sintam aliviados, ninguém os vai condenar e serão idolatrados. O 'virtual' apoderou-se das pessoas. Por isso saio para a rua, não quero estar fechado porque perdi um jogo", garante o treinador argentino, de 64 anos.
"O sistema quer que fiquemos em solidão. E quando te isolas, quando os outros deixam de ser importantes, o funcionamento de uma equipa de futebol resume-se a um argumento de autosalvação: 'temos de ganhar porque aqui matam-nos a todos'. É isto que fazem saber ao jogador o tempo todo, os meios de comunicação, as redes sociais... Porque, onde se encontra o futebolista que não está nas redes? Ali [na internet] vive-se num julgamento constante, onde as pessoas manifestam todo o seu rancor e dor. As redes sociais são um esgoto social", considerou o treinador, que já trabalhou em vários países.
Sampaoli diz que hoje em dia ninguém se ri. "Nestes tempos em que ninguém se ri, o riso vale muito. As pessoas que têm o poder de dirigir o mundo fizeram com que o riso desaparecesse. Assustam-nos. Induzem-nos a ficar dentro de casa. A pandemia trancou-nos. Muitas vezes quero ver filmes de comédia e tenho dificuldade em encontrá-los, o mercado da comédia desapareceu! Produzem-se dramas, policiais, documentários..."
Depois, voltou aos futebolistas: "Nos balneários de todo mundo os jogadores chegam com seus auscultadores de ouvido, com seus telemóveis. Eles foram colocados num lugar onde a felicidade de jogar à bola já não existe. Existe, isso sim, a obrigação de vencer para que o negócio avance. Eles têm dinheiro, mas não são livres. Vivem em prisões VIP. Estão mais inseridos no virtual do que no real. O meu dever como treinador é tentar libertá-los."