Sérgio Conceição é exemplo de como se faz muito com pouco

WBA e Atalanta também se destacam em estudo do Observatório do Futebol

• Foto: Getty Images
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O poder financeiro dos clubes é um fator crucial na luta pelos títulos na generalidade dos campeonatos e as cinco grandes ligas europeias não fogem à regra. Um estudo divulgado pelo CIES Observatório do Futebol esta terça-feira confirma isso mesmo, embora comparando as atuais classificações das ligas de Inglaterra, Espanha, França, Alemanha e Itália com o investimento necessário na construção de cada equipa nota-se que nem sempre quem mais gasta assume a primazia. E há casos em que os treinadores conseguem autênticos milagres - o português Sérgio Conceição é um deles - na luta com rivais bastante mais fortes, pelo menos teoricamente.

Na Bundesliga - o Bayern já assegurou mais um título de campeão - e na Serie A - a Juventus tem nove pontos de avanço a quatro jornadas do final - impera a lei do mais forte, pois tanto o colosso de Munique como a formação de Turim são, de longe, as equipas que mais gastaram na contratação dos jogadores que foram utilizados esta época, e têm demonstrado em campo essa diferença de qualidade. Já na Premier League, o Chelsea lidera apesar de ser a 3.ª equipa que mais investiu, enquanto Barcelona e Monaco, que comandam em Espanha e França, surgem em 2.º lugar no ranking dos gastos nos respetivos campeonatos.

O caso gaulês



Na Ligue 1, o PSG possui, claramente, a equipa mais cara (610 milhões de euros), mas segue atrás dos monegascos, que gastaram 'apenas' 234 milhões. A equipa de Leonardo Jardim está bem lançada para conquistar o título - o Monaco tem três pontos de avanço e ainda um jogo em atraso do que os parisienses quando faltam três jornadas para o fim do campeonato -, demonstrando como se faz mais com menos. 

Ainda assim, Sérgio Conceição e o seu Nantes tem um balanço ainda mais positivo entre a posição que ocupam e o nível de investimento do clube. É que, apesar de ter a 13.ª equipa ao nível dos custos (15 milhões de euros), o técnico português surge no 8.º lugar. E isto depois de ter assumido o cargo numa altura em que a turma do norte de França estava no 19.º e penúltimo lugar. 

O feito do Nantes é apenas comparável com o registo do Nice, surpreendente 3.º classificado na Ligue 1, a apenas três pontos do PSG, apesar de ser a 8.ª equipa quanto ao investimento (45 milhões de euros), uma diferença abismal se comparada com o conjunto comandado por Unai Emery ou mesmo o Monaco.

O exemplo inglês

Na Premier League, depois da temporada atípica protagonizada pelo Leicester City em 2015/16, o Chelsea caminha para o regresso aos títulos. E se Antonio Conte comanda uma equipa das mais caras do campeonato - os blues gastaram 462 milhões de euros nos jogadores já utilizados esta época -, fica atrás de Manchester United (698 milhões) e Manchester City (675 milhões) neste particular. Apesar de serem claramente os clubes que mais investiram, tanto José Mourinho como Pep Guardiola não conseguiram retirar o rendimento esperado dos jogadores que têm à disposição, ocupando o 5.º e o 4.º lugares, respetivamente.

O West Bromwich Albion é, por outro lado, quem melhor aproveitou as libras investidas na construção do plantel. Sob o comando do galês Tony Pulis, o WBA é o 18.º no ranking dos gastos (89 milhões de euros) mas aparece num inesperado 8.º posto - uma diferença de 10 posições que, no conjunto das cinco grandes ligas europeias, apenas tem paralelo nos italianos da Atalanta (5.ª na Serie A). Nem mesmo o Tottenham (2.º na Premier League) consegue melhor, pois a equipa de Mauricio Pochettino é a 6.ª mais cara (273 milhões de euros).

Quanto ao Hull City, de Marco Silva, é um dos clubes com 'saldo' negativo. Apesar do excelente trabalho do técnico português, contratado apenas em janeiro, o facto do plantel ser o 15.º ao nível do investimento (107 milhões de euros) torna o 17.º lugar (era 20.º e último quando Marco chegou)... menos positivo.

La Liga de gigantes 

Em Espanha, a luta pelo título resume-se a Real Madrid e Barcelona, também os clubes que mais gastaram nos respetivos plantéis (653 milhões de euros no caso dos merengues; 495 milhões no dos blaugranas). Os catalães lideram atualmente a classificação da Liga, mas convém lembrar que a turma da capital espanhola tem um jogo em atraso e está, por isso, em condições de justificar o maior investimento quando faltam três jornadas para o fim do campeonato (quatro jogos no caso do Real).

Já Eibar e Alavés, dois clubes bascos, são os 'reis' no aproveitamento dos poucos recursos que têm à disposição. No caso do conjunto onde alinha o português Bebé, apesar de ser o 15.º no ranking dos gastos (14 milhões de euros), ocupa o 8.º posto, dois lugares à frente do recém-promovido Alavés, que é o 17.º ao nível do investimento (menos de 10 milhões). O Athletic Bilbao, também basco, surge logo a seguir, ao ser o 6.º da classificação apesar de ser o 10.º nos gastos.

Juve confirma e Inter desilude

Na Serie A, a Juventus segue de vento em popa e parece que não deixará escapar mais um título. Com a Roma já a nove pontos, a 'vecchia signora' volta a confirmar que os euros investidos fazem a diferença em Itália - o plantel às ordens de Massimiliano Allegri custou 411 milhões de euros. Mas, depois, há também o Inter a revelar que o inverso também é verdade: nem sempre o investimento rende sucesso. É que os nerazzurri gastaram 301 milhões (2.º do ranking) mas seguem em 7.º lugar, naquele que é a performance mais negativa na liga italiana.

Por outro lado, existe ainda o caso da Atalanta. Sob o comando de Gian Piero Gasperini, o clube de Bérgamo é o inesperado 5.º classificado na Serie A, com mais cinco pontos do que o Milan e oito do que o Inter, depois de ter sido a 15.ª equipa ao nível de gastos na construção do plantel (34 milhões de euros).

Bayern arrasador

Na Bundesliga, mais do mesmo. O Bayern voltou a não dar hipóteses à concorrência e já festejou mesmo a conquista de mais um título alemão, confirmando o estatuto de clube mais poderoso do país, tanto a nível financeiro como de troféus. Com gastos de 356 milhões de euros - o Borussia Dortmund, com 232 milhões, é quem mais se aproximou mas sem o devido retorno, pois ocupa o 4.º posto -, os bávaros impuseram a lei do mais forte.

Refira-se que o RB Leipzig, em estreia na elite do futebol alemão, destaca-se naturalmente pela positiva, pois está perto de garantir o 2.º lugar - tem mais cinco pontos do que o também surpreendente Hoffenheim, quando faltam três jornadas -, tendo o 7.º plantel mais caro do campeonato. Ainda assim, há quem tenha um desempenho ainda mais positivo neste particular, com destaque para o Friburgo (16.º nos gastos e 7.º na classificação) e para o Hertha (13.º no investimento e 5.º na liga). 

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