Stanley Matthews: Cem anos da lenda
Ganhou Bola de Ouro com 42 anos e acabou a carreira aos 50, elogiado por todos...
Há exatamente 100 anos, nascia em Stoke-on-Trent, Inglaterra, aquele que foi o maior exemplo de longevidade no futebol. A carreira de Stanley Matthews começou em 1931 e terminou em... 1965 durando, exceção feita aos cinco anos (1940-45) em que não jogou devido à 2.ª Guerra Mundial, 29 anos. Embora não tenha conquistado muitos títulos – o único grande troféu foi a Taça de Inglaterra de 1952/53, pelo Blackpool –, deixou a sua marca indelével no futebol mundial: foi o primeiro futebolista a ganhar a Bola de Ouro, com... 42 anos (1956), batendo figuras como Di Stéfano ou Raymond Kopa; primeiro futebolista da história a ser nomeado com o título de “sir” pela rainha de Inglaterra; o jogador mais velho a atuar na divisão máxima do futebol inglês (50 anos em 1964/65); e o mais velho a representar a seleção de Inglaterra (fez o último jogo a 15 de maio de 1957, com 42 anos).
À frente no tempo
Matthews jogou só em dois clubes: o Stoke City, da cidade onde nasceu, no qual ganhou dois campeonatos da 2.ª divisão, e o Blackpool, onde ganhou a Taça de Inglaterra de 1952/53. Liderou a equipa numa reviravolta histórica frente ao Bolton – o Blackpool perdia por 3-1 aos 65’ e ganhou por 4-3 –, fazendo as assistências para o hat trick de Stan Mortensen, ficando o célebre encontro conhecido pela “final de Stanley Matthews”, algo que o próprio recusou sempre.
A 10 de maio de 1947, trocou o Stoke City pelo Blackpool e o novo técnico Joe Smith perguntou-lhe: “Tens 32 anos, achas que ainda consegues jogar mais dois anos?” Jogou mais... 18 épocas, 14 no Blackpool e 4 no Stoke, após regressar, em 1961, ao clube do coração. A razão era simples: Stanley Matthews treinava também sozinho, trabalhava muito o corpo e fazia ainda dietas rigorosas que lhe permitiram ter uma longevidade surpreendente. Aliando isso ao seu talento inato, o seu futebol tornou-se (quase) eterno.
Percurso longo sem ver cartões
Além do talento futebolístico, Stanley Matthews tornou-se lenda por outras razões: nunca viu um cartão vermelho na carreira (os amarelos surgiram em 1970, já Stanley Matthews acabara a carreira); nunca fez um ‘tackle” sobre um adversário; não bebia nem fumava (a única vez que bebeu álcool foi champanhe na festa da conquista da Taça de Inglaterra). Na sua estátua, em Stoke-on-Trent, está escrito: “O seu nome simboliza a beleza do jogo e a sua fama intemporal e internacional, bem como o desportivismo e modéstia, são universalmente aclamados. Um jogador mágico, do povo e para o povo.”
O QUE DISSERAM SOBRE O CRAQUE
"Tinha uma velocidade estonteante. Praticamente ninguém o apanhava", Franz beckenbauer, antigo internacional alemão e atual presidente honorário do Bayern Munique
"Matthews foi o melhor a fazer cruzamentos que eu vi. E tinha de o fazer com as antigas bolas, que pesavam como chumbo", John Charles, antigo avançado galês que jogou entre 1948 e 1971
"Ele tinha tudo: controlo de bola, fantástico poder de drible e uma velocidade-relâmpago. Era ainda um jogador inteligente que sabia sempre como passar a bola a um companheiro", Johnny Giles, antigo médio irlandês do Manchester United
"Bem vindo a casa, Stan. Durante anos, este clube [Stoke City] caminhou para parte incerta. Reentrámos agora no caminho certo", Tony Waddington, presidente do Stoke City, em julho de 1961, quando Stanley Matthews regressou ao clube
"Matthews nunca retaliou contra os adversários, e foram vários, que o desafiavam fisicamente para explodir e poder ser expulso. Manteve sempre o nível, as emoções nunca afetaram o seu jogo", Jimmy Armfield, ex-companheiro de equipa no Blackpool
"Ele foi o homem que nos ensinou como é que o futebol devia ser jogado. O que posso dizer mais?", Pelé, eleito pela FIFA como o melhor futebolista do século XX
"Eu cresci numa época em que ele era um deus para quem aspirava a jogar futebol. Era um verdadeiro ‘gentleman’ e nunca mais deveremos ver outro assim", Brian Clough, mítico treinador do Nottingham Forest, entre outros clubes
"Não é só em Inglaterra que ele é famoso. Em todo o Mundo, ele é visto como um verdadeiro génio", Berti Vogts, antigo internacional alemão e treinador de futebol.