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Stanley Matthews: «O feiticeiro do drible»

«Record» inicia, a partir de quarta-feira, a publicação de sinopses biográficas de onze grandes futebolistas do século XX: Matthews, Di Stéfano, Puskas, Yashin, Bobby Charlton, Pelé, Eusébio, Beckenbauer, Cruyff, Platini e Maradona. Esta iniciativa não pretende reforçar a ideia de que os nomes em questão foram e são os melhores jogadores mundiais de sempre. Trata-se, tão-só, de uma evocação histórica dos mesmos, cujo reconhecimento internacional é, com certeza, unânime, mas que confessa a existência de muitos outros tão ou mais importantes do que os aqui referenciados. No fundo, este “onze” não é mais do que um pretexto para recordar dezenas de outros futebolistas ímpares na história da modalidade

Stanley Matthews: «O feiticeiro do drible»
Stanley Matthews: «O feiticeiro do drible»

ENTRE os segredos da sua longevidade, Matthews destaca a alimentação (só bebia um sumo e comia uma peça de fruta no dia seguinte ao jogo) e o facto de nunca tocar na bola durante a semana para conservar, intacta, a vontade de jogar. Quando foi questionado como driblava com facilidade, Matthews respondeu: "Desde os seis anos de idade que tenho a mania de ficar horas e horas a chutar uma bola de ténis contra a parede. Quando cresci e fui jogar com uma bola maior, tudo ficou mais fácil e a adaptação foi quase imediata."

Chamavam-lhe o "mago do dribble" e o "pesadelo dos defesas-esquerdos". Falamos do ponta-direita Stanley Matthews, o primeiro "Sir" do futebol inglês e o único a jogar até aos 50 anos de idade.

Começou aos 17, pelo Stoke City, e só parou 33 anos depois, no mesmo clube. Os números são impressionantes: 841 jogos oficiais, espalhados pelo campeonato (701), Taça de Inglaterra (86) e selecção (54). Venceu a Taça de Inglaterra em 1953, com 38 anos, conquistou a primeira Bola de Ouro da "France Football" com 41 e foi eleito jogador inglês do ano com 48, depois de ajudar o Stoke City a subiu à I Divisão.

O Stoke City e o Blackpool foram as duas equipas, medíocres diga-se, que acompanharam Matthews na sua longa carreira desportiva. Por isso, ganhou apenas três títulos (dois deles na II Divisão). A selecção inglesa também não lhe proporcionou os momentos de glória, que consagram os génios, e esteve, inclusive, presente nas duas grandes humilhações da sua história: eliminação no Mundial 50 aos pés dos amadores dos EUA logo na primeira ronda; e na primeira derrota em casa (6-3 ante a Hungria de Puskas), em Novembro de 53.

Mas foi promovido a Deus na final da Taça de Inglaterra, a 2 de Maio de 1953, entre Blackpool e Bolton (4-3), no Estádio de Wembley. No jogo, que ficou conhecido como a "final de Matthews", o extremo-direito fez três assistências para golo, duas delas nos últimos três minutos.

Mas os feitos de Matthews não se ficam por aqui. Ele também foi campeão no "fair-play". Durante 33 anos, nunca foi repreendido pelos árbitros (na altura, os cartões não existiam, só advertências no livro do árbitro, daí a expressão inglesa "booking"), o que lhe valeu o justo epíteto de "First Gentleman" do futebol aquando da condecoração do título de nobreza "Sir" atribuído pela rainha Elizabete II, a 23 de Fevereiro de 1965, apenas 17 dias após ter acabado para o futebol.

Em 1987, foi homenageado com uma estátua de bronze, de tamanho natural, erguida na sua cidade natal, Hanley, no Norte de Inglaterra.

"Sir" Matthews morreu em Fevereiro. O carro funerário só levava flores vermelhas e brancas (as cores do Stoke City) e um arranjo floral em forma de um sete, o seu número de sempre.

Quem é quem

Nome completo: Stanley Matthews

Posição: Extremo direito

Data de nascimento: 01.02.15 (Hanley, Inglaterra)

Data da morte: 24.02.00

Carreira: Stoke City (1932-46), Blackpool (46-61) e Stoke City (61-65)

Títulos: 1 Taça de Inglaterra (53) e 2 campeonatos da II Divisão (33 e 63)

Prémios pessoais: 1 Bola de Ouro da "France Football" (56); Eleito melhor jogador inglês do ano (48 e 63)

Na selecção inglesa: 54 jogos e 11 golos

Outras figuras dos anos 30 e 40

ARTHUR FRIEDENREICH (18.07.1892, no Brasil)

Jogou de 1909 a 1935

Deu o primeiro título ao "escrete" na Copa América, em 1919, e foi o autor do primeiro golo na história do futebol profissional no Brasil, em 1933.

RICARDO ZAMORA (21.01.1901, em Espanha)

Jogou de 1916 a 1938

Foi o primeiro mito do futebol espanhol. Jogou no Espanyol (titularidade aos 15 anos), Barcelona, Real Madrid e Nice. O "Divino" morreu em Setembro de 1978.

GUILLERMO STÁBILE (17.01.1906, na Argentina)

Jogou de 1923 a 1939

Conhecido como o "Infiltrador", por passar no meio dos defesas, entrou para a história do futebol em 30 por ter sido o melhor marcador na primeira edição do Mundial.

DIXIE DEAN (22.01.1907, em Inglaterra)

Jogou de 1921 a 1940

Entrou para a história do futebol inglês (e lá continua) em 1928, quando marcou 60 golos em 39 jogos na I Divisão. Na selecção, mais um feito: 18 remates certeiros em 16 partidas.

FRANZ BINDER (01.12.1911, na Áustria)

Jogou de 1921 a 1950

Internacional pela Áustria (16 golos em 19 jogos) e pela Alemanha (10 em 9), participou no inédito título do Rapid Viena como campeão alemão em 41.

LEÓNIDAS DA SILVA (06.09.1913, no Brasil)

Jogou de 1930 a 1950

Popularizou o "pontapé de bicicleta" no Mundial 30 e foi o melhor marcador no Mundial 38. Marcou 25 golos em outros tantos jogos na selecção brasileira.

ANGEL LABRUNA (nasceu a 28.09.1918, na Argentina)

Jogou de 1939 até 1961

O nº 10 da fantástica equipa do River Plate dos anos 40, apelidada de "La Máquina". Marcou 75 golos em 30 jogos no campeonato de 41.

VALENTINO MAZZOLA (26.01.1919, em Itália)

Jogou de 1939 a 1949

Seis anos no Torino (43-49) foram suficientes para entrar na história, com quatro títulos nacionais. A 4 de Maio de 1949, morreu, como o resto da equipa, num acidente de aviação em Superga.

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