Taça Libertadores: O super-herói de Tucumán

Clube argentino supera troca de avião, rali de autocarro e 'extravio' do equipamento

• Foto: Reuters

Batman, Superman... Tucumán! O clube argentino é o último super-herói, não da DC Comics ou da Marvel, mas da Taça Libertadores. Contra todas as expectativas, o Atlético Tucumán continua em prova ao ter derrotado ontem (1-0) o El Nacional, em Quito, após uma odisseia que envolveu inesperada mudança de avião e rali de autocarro. Tudo com o ‘beneplácito’ da Conmebol, que autorizou que o jogo se realizasse, apesar de o conjunto alviceleste ter chegado ao Olímpico Atahualpa muito depois do tempo regulamentar.

A história dá um filme! O Tucumán empatou (2-2) em casa na primeira mão da segunda pré-eliminatória da Taça Libertadores. Para driblar o problema da altitude da capital Quito, situada 2.850 metros acima do nível do mar, o Decano decidiu não viajar com muita antecedência para lá, realizando, isso sim, um estágio em Guayaquil, o principal porto do Equador. A distância entre as duas cidades equatorianas é de 432 quilómetros (50 minutos de avião). O pior veio depois, quando um imbróglio burocrático impediu o Tucumán de seguir viagem no avião inicialmente fretado. Volvidas muitas peripécias (ver cronologia), o emblema argentino viria a ultrapassar o El Nacional, através do golo de Zampedri (64’), enfrentando o Junior de Barranquilla na ronda seguinte. Nada mal para quem nem equipamento tinha quando chegou ao anfiteatro...

Entusiasmo e revolta

Exultante com a qualificação, o treinador do Tucumán disparou contra desconhecidos. "Que parem o avião agora!", gritou Pablo Lavallén, não escondendo a revolta: "Deus é justo! Foi um descaramento o que nos fizeram. Deixaram-nos parados na pista duas horas. Entrámos em campo quase sem aquecer e ainda nos ameaçaram de que não haveria jogo."

Cumprindo a ordem da Conmebol, o El Nacional acabou por ir a jogo, mas fê-lo sob protesto, pois o tempo de espera regulamentar para o início do jogo (45 minutos) foi largamente ultrapassado (o desafio arrancou 88 minutos após o previsto). O líder do clube anfitrião não escondeu o desagrado. "Deviam ter feito como nós. Fomos três dias antes para Tucumán para nos adaptarmos ao calor! Quem decidiu que havia jogo foi a Conmebol e não nós...", disse Tito Manjarrez, enquanto Eduardo Favaro, técnico do emblema, mostrou fair play: "O Tucumán foi um justo vencedor, não há desculpas para a nossa derrota!"

‘Prego a fundo’ na autoestrada

O percurso entre o aeroporto de Quito e o Olímpico Atahualpa (35 quilómetros) assemelhou-se a um rali. Escoltado pela polícia, o autocarro do Tucumán acelerou autoestrada fora, atingindo os 130 km/h. "Foi uma loucura, podia ter acabado em tragédia", admitiu o defesa Bruno Bianchi. Entre os passageiros estava Luis Juez, embaixador da Argentina no Equador, que ajudou a desbloquear o caso, telefonando ao líder do El Nacional e ao observador da Conmebol, na tentativa de os sensibilizar. "Em nome do povo argentino... esperem por nós!", pediu-lhes.

Camisola da seleção e força de Maradona

A bagunça que envolveu a mudança de avião originou novo episódio caricato já em Quito. O material (botas, camisolas) ficara em Guayaquil. Pensou-se, inicialmente, em pedir aos adeptos do Tucumán que estavam no estádio que emprestassem as camisolas! Impossível, não tinham número! O El Nacional aceitou ceder o equipamento alternativo, mas quem resolveu a questão foi a AFA. A disputar o Sul-Americano de sub-20, no Equador, a seleção argentina ‘doou o traje’. O caso emocionou Maradona. "Aguenta-te, Atlético! Somos todos tucumanos!", disse.

Mais turmas ‘camaleónicas’

Não foi a primeira vez que um clube (ou seleção) alinhou com uma camisola que não a dele. Tal sucedeu, por exemplo, com a França no Mundial de 1978, disputado na Argentina. O conjunto gaulês já estava afastado quando enfrentou a Hungria na fase de grupos. A FIFA pediu à equipa magiar para não alinhar de vermelho, mas de branco, por causa da TV. Não contava que a França optasse por usar a camisola alternativa (também branca) como forma de protesto por causa das arbitragens. Acabou por atuar com o ‘traje’ do Kimberley de Mar del Plata. Há mais alguns exemplos: Áustria (vestida à Nápoles, em 1934), México (à Cruzeiro-RS, em 1950), Argentina (à IFK Malmö, em 1958), Brasil (à Independiente e à Boca Juniors, em 1937) e Boca Juniors (à Milan, em 1963). Curiosamente, a camisola do Tucumán até é idêntica à da Argentina. 

Por Nuno Pombo
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