UEFA atira-se a Infantino: «O negócio mesquinho e de bastidores que tentou impor foi tudo menos transparente»

Organismo mostrou-se agradado pelo facto do plano inicial, de vender participações no Mundial a investidores privados, ter caído

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Gianni Infantino muito criticado pela UEFA
Gianni Infantino muito criticado pela UEFA • Foto: AP
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A UEFA emitiu este sábado um comunicado onde se mostrou agradada pela decisão da FIFA, que deixou para trás o plano de vender parte da participação em Mundiais de futebol a investidores privados.

Na nota divulgada no site oficial, a UEFA 'atira-se' mesmo a Gianni Infantino, presidente da FIFA, referindo que este tentou, com a sua proposta, impor um "negócio mesquinho, de bastidores e opaco que foi tudo menos transparente". Não só isso, o organismo que gere o futebol europeu fala ainda em promessas falhadas e "esquemas secretos concebidos em prazos recorde, delineados por figuras sem rosto e de benefício duvidoso para o desporto".

A informação de que Gianni Infantino tinha desistido da ideia foi inicialmente avançada pelo 'New York Post' ontem, sexta-feira, e poucas horas depois confirmada pelo próprio dirigente, que inicialmente falou à 'Sky News' e, mais tarde, emitiu um comunicado no site da FIFA: "Após ter escutado todas as perspetivas, é óbvio que este projeto criou divisões de tal ordem que, independentemente do nível de apoio, já não serve o objetivo inicialmente estabelecido. A nossa intenção sempre foi, e sempre será, unir e melhorar. Como tal, esta proposta não irá adiante. Daqui para a frente, a minha intenção é reunir novamente todas as partes interessadas nos próximos dias e semanas, no espírito de um interesse partilhado pelo nosso jogo e com o objetivo de continuar a fazer crescer o futebol em todo o lado, particularmente nos países que mais precisam do nosso apoio".

A FIFA pretendia angariar até 4,2 mil milhões de dólares através da venda de uma participação de cerca de 20% no grupo, avaliando a nova entidade em 20 mil milhões de dólares. O negócio, que envolvia uma empresa dirigida pelo investidor de capital de risco nova-iorquino Joshua Kushner, fica assim cancelado.

Leia aqui o comunicado da UEFA na íntegra:

"A UEFA mostra-se agradada com a decisão da FIFA de retirar o seu plano de vender a privados uma participação nas suas competições - incluindo o Mundial.

A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas associações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações ao redor do mundo, cujo dever é proteger o futebol.

A UEFA agradece a todos os adeptos, ligas, clubes, jogadores, entidades individuais, associações e confederações que se opuseram a este plano, a par dos muitos Primeiros-Ministros, Chefes de Estado e comentadores que demonstraram ao Presidente da FIFA que o futebol não está à venda.

Não podemos continuar assim, com esquemas secretos concebidos em prazos recorde, delineados por figuras sem rosto e de benefício duvidoso para o desporto. Temos de identificar os responsáveis e exigir que prestem contas.

É justo que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com as suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isto aconteceu e conceber um plano para garantir que não volte a ocorrer. Esta análise deve ser minuciosa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da FIFA perdeu não só a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol.

Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das Associações-Membro da FIFA para o elegerem Presidente em 2016, afirmou: "É claro que temos de ser transparentes. Foi o que fiz nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Terão de fazer parte do dia a dia da FIFA", antes de dizer aos intervenientes reunidos: "O dinheiro da FIFA é o vosso dinheiro. Não é o dinheiro do Presidente da FIFA. É o vosso dinheiro. Vocês são as associações nacionais e o dinheiro da FIFA tem de servir para o desenvolvimento do futebol e para mais nada".

Em ambas as promessas, falhou o seu cumprimento. O negócio mesquinho, de bastidores e opaco que tentou impor foi tudo menos transparente.

E, com reservas superiores a 5 mil milhões de dólares, também falhou na utilização do dinheiro das associações em benefício do futebol.

A UEFA começará a trabalhar imediatamente com parceiros e intervenientes de todo o mundo e de todo o universo do futebol para propor uma nova forma de distribuir recursos através do atual programa FIFA Forward.

Temos de começar a utilizar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso de que o futebol de formação e a modalidade em geral necessitam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não precisamos de vender as joias da coroa para o pagar.

Esta é uma vitória de todo o futebol. Mas não pode ser o fim da história. A proposta caiu. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas a começar".

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