Uma (má) imitação de Kroos

Record representou Portugal num jogo com jornalistas alemães

Dentro do evento da apresentação da candidatura da Alemanha à organização do Euro'2024, a federação reservou uma manhã para algo diferente: um jogo entre jornalistas alemães e estrangeiros. Bem, na verdade todos vestimos o equipamento da 'Mannschaft', uns com o principal, outros com o alternativo. Eu assumi o papel de suposto futebolista, o Fernando Ferreira manteve a função de fotografar o momento e embelezar um jogo de futebol com condições de luxo, embora nem todos os intervenientes estivessem à altura.

A palestra foi dada por Miroslav Klose, ex-jogador do Bayern, entre outros clubes, e da seleção alemã. "Divirtam-se", disse. Parece pouco, mas vindo do recordista de golos (16) em fases finais do Campeonato do Mundo... tem sempre algum peso. Isso e o número que escolhi: o 8. É o meu preferido, logo nem pensei duas vezes. Do que também gosto é de jogar no meio-campo e aqui o desejo também foi concedido. Até que alguém me lembrou: "Claro, se estás com a camisola do Toni Kroos tens de ser médio". Ou seja, o incentivo de um campeão do Mundo e a camisola de outro. Pouca pressão. Mais: na minha equipa jogou Celia Sasic, vencedora da Liga dos Campeões, da Bota de Ouro de Mundial de futebol feminino em 2015 e do prémio de Melhor Jogadora da Europa no mesmo ano.

Foram 25 minutos cada parte, mas ao intervalo já faltavam as forças. A mim e a quase toda a equipa. Valia-nos o guarda-redes, inglês, que ia defendendo tudo. Os adversários, bem melhores fisicamente, dominavam, enquanto nós apostávamos no jogo longo à procura da goleadora Celia Sasic.

Começámos no 4x4x2 mas rapidamente mudámos para 4x3x3. O meio-campo ficou a meu cargo, mais um espanhol e um inglês. E se já estava a ser difícil aguentar devido à minha má forma física, pior ainda quando ainda temos de pensar se dizemos 'presión' ou 'pressure' quando queremos apostar na pressão, por exemplo. A certa altura, um dos ingleses sugeriu estacionarmos o autocarro, aludindo a... José Mourinho. Foi resultando. Aguentámos o 0-0 quase até ao final e nos últimos cinco minutos marcámos dois golos.

Quem sou eu para analisar a minha prestação, mas a veia de jornalista nunca se perde. Fiz quatro passes certos - quase todos curtos e um em profundidade que deixou a Celia Sasic em boa posição - e dois errados. Tentei ser um médio 'box to box', mas nem sempre o corpo respondeu afirmativamente às ordens do cerébro.

Na terça-feira, Toni Kroos esteve a treinar com a seleção da Alemanha no mesmo relvado da academia do Bayern Munique onde eu, uns dias depois, fiz uma imitação do médio - o alemão é destro e eu sou esquerdino, a primeira de muitas, muitas diferenças. Mas como os futebolistas costumam dizer, o mais importante é o coletivo. A minha equipa ganhou e eu tive a oportunidade de levantar o troféu Henri Delaunay, a taça que é entregue à seleção que vence o Europeu. Bem, como português, tenho esse direito. Afinal, a Alemanha até pode ter conquistado a prova três vezes, mas Portugal é que é o campeão europeu em título.

Por David Novo
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