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Ignacio Camacho foi obrigado a dizer adeus ao futebol no último mês de setembro, aos 30 anos. Cansado das constantes lesões no tornozelo, o jogador espanhol do Wolfsburgo decidiu despedir-se dos relvados em definitivo, depois de várias operações e de ter estado um ano e meio ausente das competições.
"Ao longo de três anos dei-me conta que depois de cada operação não conseguia regressar. A cabeça e a vontade faziam-me trabalhar para voltar a entrar em campo, mas a realidade é que cada treino, cada jogo era um suplício", recordou o antigo médio do Atlético Madrid a um programa de televisão em Espanha.
"Faz dois anos que fiz o meu último jogo e nos meses anteriores tinha vergonha de treinar com os meus companheiros de segunda a sexta-feira porque só conseguia estar a 30 por cento. Quando chegava o jogo, com a adrenalina jogava os 90 minutos, tomava um anti-inflamatório e atirava-me para a frente. Mas estava a enganar-me. Sabia que mais tarde ou mais cedo tinha que passar por uma cirurgia", sublinhou o médio.
Todo este processo foi também complicado ao nível psicológico. "O mais duro para mim era o dia a dia, os tempos de recuperação muito longos, estar concentrado naquele processo, saber que se jogasse futebol com os meus filhos no jardim o pé podia ser afetado e no dia seguinte ia doer mais... O objetivo é sempre voltar a jogar e faz-se o possível para que isso aconteça."
"Depois de tantos meses, as operações para mim eram uma alegria. Permitiam-me partir do zero e voltar a lutar. Até que na última tudo parecia bem, mas na semana de regressar aos treinos com a equipa, voltei a sentir dores. O problema é que em cada operação o problema não se resolvia e pouco depois voltava a aparecer", lamentou.