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Michael Santulhão: «Saber falar a língua torna-se vital num país como a Alemanha»

Treinador luso-alemão alerta treinadores e jogadores portugueses para as particularidades da Bundesliga

As dificuldades que os estrangeiros sentem para vingar na Bundesliga passa muito pelo domínio da língua germânica - para além, obviamente, do domínio das questões técnicas e táticas. O aviso é feito por Michael Santulhão, treinador luso-alemão dos sub-16 do SV Wacker Burghausen. 

"Independentemente da linguagem do futebol ser 'universal' o saber falar o idioma local, principalmente na Alemanha, é um critério de seleção de treinadores. O saber comunicar por si é extremamente importante, para poder passar aos jogadores as exigências e filosofia de jogo. Isso na Alemanha torna-se vital. Se analisarmos o historial da Bundesliga acabamos por constatar que nos dois escalões principais houve poucos treinadores estrangeiros a conseguirem grandes feitos", começou por dizer a Record, dando o exemplo do italiano Carlo Ancelotti: "acaba por esbarrar, no seu segundo ano no Bayern, em questões culturais e internas e os resultados acabaram por ditar o seu afastamento do comando técnico."

Michael Santulhão

Trajeto

Michael, de 36 anos, nasceu e viveu na Alemanha até aos 13, altura em que veio para Portugal. Foi aqui que, na formação, chegou a defrontar ex-internacionais portugueses como Eduardo, Tiago ou Fernando Meira. No regressso ao centro da Europa, juntou-se com outro português, Guti Ribeiro, na escola de formação deste na Áustria, partindo depois para o Hertha de Munique, onde orientou sub-17 e equipa B (aqui conseguiu a "primeira permanência do clube no campeonato sénior"). "Sendo o treinador sénior mais novo no Campeonato os resultados acabaram por me colocar no top'5 da Liga", constata.

Agora no SV Wacker Burghausen, Santulhão fala nos seus objetivos futuros, em que o regresso a Portugal também está projetado, embora neste caso ainda sem data: "O facto de num espaço de ano e meio ter dado o 'salto' para um clube como o Wacker Burghausen dá uma motivação extra. O objetivo passa actualmente por consolidar métodos de treino na formação do clube e dar jogadores bem formados ao plantel principal. O próximo passo será assumir ou integrar uma equipa técnica a nível sénior."

Conselhos a Renato, Paciência e Geraldes

Conhecendo bem o país, Michael tem algumas 'dicas' para os jovens portugueses que atuam na Bundesliga, como Renato Sanches (Bayern) ou Gonçalo Paciência e Francisco Geraldes (Eintracht Frankfurt).

"Creio que a adaptação do Renato, na sua primeira época, ficou mais difícil devido à concorrência de peso na posição para a qual foi contratado. Os resultados e a pressão sobre Ancelotti tornaram mais difícil a sua utilização e as lesões vieram a dificultar a situação.
Contudo, estou convencido de que esta será uma época de recuperação física e anímica, com a ajuda do atual treinador, Niko Kovac. Continuo a acreditar que será uma referência no Bayern e uma opção para a Selecção Nacional", sublinhou, falando depois da dupla do Eintracht.

"A ambos é necessário dar tempo de adaptação ao clube e ao país, mas o facto de serem colegas de equipa poderá ser benéfico para a adaptação. Contudo, perspetivo uma época com alguma dificuldade na afirmação, mas será sem dúvida uma etapa muito boa a nível de aprendizagem e desenvolvimento deles como jogadores. Bons exemplos acabam por ser Hugo Almeida e Vieirinha, que nas suas passagens pela Alemanha conseguiram ter impacto nos clubes que representaram", lembrou.

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