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Um árbitro foi vítima de racismo no Brasil e abandonou o encontro. Marcos Nunes dirigia o duelo entre o Vorotay e o Referência, a contar para o campeonato Paulista sub-20, quando ouviu um pai de um atleta da equipa visitante chamá-lo de "macaco". O juiz acionou de imediato o protocolo antirracismo e acabou por deixar o campo ao intervalo, sendo substituído pelo quarto árbitro, que assumiu as rédeas no segundo tempo.
O referido adepto foi identificado e, juntamente com Marcos Nunes, foi encaminhado para a esquadra. O árbitro apresentou queixa e o acusado irá aguardar em liberdade até ser notificado pelo tribunal, sabendo, porém, que o crime de racismo prevê uma pena de dois a cinco anos.
Mais tarde, Marcos Nunes deixou uma mensagem nas redes sociais. "Acredito que as redes sociais sirvam para partilharmos vivências e experiências, e hoje não vai ser diferente. Venho contar aqui o que aconteceu comigo no dia de hoje. Num jogo válido pelo Campeonato Paulista de base (categoria sub-15), entre as equipas do Votoraty e do Referência, sofri um ato de racismo por parte de um pai de atleta do Votoraty. Fui chamado de MACACO, palavras que foram ouvidas claramente pela equipa de apoio e pela segurança do evento. Ouvir que isso aconteceu com outra pessoa já é extremamente triste e doloroso. Mas senti-lo na pele é devastador. A sensação de impotência é tão grande que nos faz chorar. Hoje, ainda dentro do balneário, cheguei a agradecer a Deus por não ter um filho, só para saber que ele não passaria por uma situação tão horrível como esta. No Campeonato do Mundo ouvi muitas pessoas a dizer que não apoiariam a Argentina porque eles são racistas. Olhem para o nosso próprio quintal. O problema que apontamos lá fora também é o nosso", escreveu.