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Clarence Seedorf teve uma carreira de luxo. O médio holandês passou por Ajax, Sampdoria, Real Madrid, Inter, Milan e... Botafogo, conquistando cinco Ligas dos Campeões, 2 Supertaças Europeias, uma Taça Intercontinental, um Campeonato do Mundo de Clubes, fora os campeonatos, taças e supertaças por todos os países por onde passou.
Mas hoje dedicamos atenção à surpreendente passagem pelo Botafogo, nas temporadas 2012 e 2013. Uma transferência que surpreendeu tudo e todos e que mudou o Botafogo, que de um dia para o outro recebeu um talento de qualidade superior e uma das lendas do desporto-rei.
Com uma personalidade à prova de tudo e com uma carreira que falava por si, o holandês cedo mostrou ao que ia, aproveitando todas as ocasiões para aconselhar os companheiros, dinamizar as rotinas de treino e até fazer conselhos estratégicos à direção.
De camisola 10 vestida, Seedorf tornou-se figura e ainda hoje são partilhadas imagens das 'duras' que dava aos companheiros de equipa nos treinos e até as dicas que deixava à equipa técnica. O holandês tinha as melhores intenções, mas esbarrou numa forma de estar menos europeia e onde o tempo parece correr de forma diferente.
A passagem do craque pelo Botafogo foi tão marcante que mais de dez anos depois ainda se fala no assunto e são elaborados trabalhos sobre as sugestões que o médio queria ver implementadas no emblema canarinho.
No GloboEsporte sintetizaram algumas delas e, bem feitas as contas, pode-se dizer que o futebol brasileiro, especialmente o Fogão, não estava ainda preparado para mudanças tão assertivas. Aqui ficam algumas delas...
Queria mudar o hino. Não gostava do trecho "Não podes perder, perder para ninguém", uma vez que faltava uma referência às vitórias;
Exigia aviões fretados para viagens longas;
Pretendia que os técnicos de equipamentos entregassem as camisolas num cabide e não as dobrassem, porque defendia a tese de que um equipamento amassado atrapalhava os jogadores;
Não gostava de ver diretores no balneário em dias de jogos, uma vez que acreditava que aquele espaço sagrado era pertença apenas dos jogadores;
Não queria que os jogadores comessem feijão antes de jogos, porque acabavam por ficar mais pesados;
Queria substituir linguiça de porco por linguiça de boi na alimentação do plantel;
Aconselhava jogadores a não irem de chinelo para os treinos da equipa;
Pediu à direção para criar uma equipa multidisciplinar médica, com a inclusão de um médico de clínica-geral, um fisioterapeuta e um médico especializado em medicina desportiva.
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