Impacto dos treinadores portugueses e a importância do Estadual: António Oliveira contra Abel Ferreira em três respostas

• Foto: Reuters

Este domingo há clássico entre Corinthians e Palmeiras, entre António Oliveira e Abel Ferreira. E não é apenas mais um jogo. Pela grandeza dos clubes e pela importância dos Estaduais no futebol brasileiro, acima de tudo. Quem nos explica tudo isto é Gláucia Santiago, jornalista da ESPN Brasil e apresentadora do Sportscenter, um dos programas desportivos com maior audiência no país.

R - António Oliveira tem apenas dois jogos no Corinthians e duas vitórias. Qual foi a primeira impressão que deixou junto dos adeptos e da imprensa em termos de resultados, forma de jogar e até comunicação?

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GLÁUCIA SANTIAGO - A primeira impressão é óptima. Antes da estreia, quando o nome foi sondado e anunciado, foi logo visto com bons olhos pelos adeptos e pela imprensa pelo trabalho que já tinha feito no Brasil. Tratava-se de um treinador promissor e conseguiu duas vitórias no Corinthians, importantes no momento em que o clube passa por um momento de transição. Uma nova direção, que rompe com a anterior, que esteve 16 anos no poder. Começar bem esta etapa significava muito para o António Oliveira e nestas duas vitórias a equipa respondeu muito bem. Em poucos dias de treino, com uma equipa que ainda ganha corpo, já deu para ver outra postura dos jogadores e muita coisa interessante taticamente.

R - Dois clubes gigantes de São Paulo com dois treinadores estrangeiros, neste caso portugueses. O futebol brasileiro já encaixa bem a ideia de ter treinadores estrangeiros à frente dos grandes clubes?

GS - Os treinadores estrangeiros são uma realidade no Brasil e já são mais bem aceites por parte dos adeptos e até dos jogadores. Não só os portugueses, que trazem trabalhos de sucesso, mas os outros que também estão aqui. Nunca foi novidade termos treinadores estrangeiros no futebol brasileiro, mas é inegável o quanto isso ficou mais evidente e os casos de sucesso chamaram a atenção. Num primeiro momento, havia uma estranheza dos jogadores quanto à disciplina e rotina do dia a dia. Hoje em dia não, até pelos jogadores brasileiros que voltam após muitos anos na Europa e que já entendem muito bem essa cultura. Há uma aceitação do trabalho dos estrangeiros no Brasil e acaba por ser uma atração à parte. O clássico deste domingo chama à atenção por ter dois portugueses como treinadores: para o António Oliveira, o primeiro grande clássico no Corinthians, e frente a um rival histórico; o Abel Ferreira, já com um trabalho consolidado.

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Impacto dos treinadores portugueses e a importância do Estadual: António Oliveira contra Abel Ferreira em três respostas

R - Para quem não tem noção, os Estaduais, neste caso o Paulistão, têm grande importância no futebol brasileiro?

GS - O Paulistão é o principal campeonato estadual do Brasil. Além dos grandes, Corinthians, Palmeiras, São Paulo e Santos, tem muitos clubes das cidades do interior e que disputam a Série B do Brasileirão. São clubes fortes, competitivos e estruturados financeiramente. Além dos quatro grandes de São Paulo, há também o Red Bull Bragantino, treinado pelo Pedro Caixinha, e que também é uma força nesta competição e que se consolidou nos últimos anos. É um campeonato com um nível alto e onde uma equipa grande pode perder para uma equipa do interior, algo totalmente compreensível. Aqui discute-se muito o Estadual, por causa do calendário do Brasil que é muito apertado. Fala-se em acabar com os Estaduais ou alterar o formato, sendo que há clubes que começam a prova com jogadores da formação ou equipas alternativas, mas também falamos que que perder um clássico dentro do Estadual, não ser campeão, por exemplo, determina o que vai ser a temporada e derruba muito treinador. Há uma pressão por vencer.

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Por David Novo
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