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Foi com recurso a uma frase de Abel Ferreira que Luís Castro, treinador do Grémio, reagiu aos insultos e ofensas de que foi alvo após a derrota frente ao Bragantino (0-1). Já na sala de imprensa, o treinador português mostrou-se revoltado com os cânticos que tem ouvido e sublinhou que "maltratar quem está dentro do futebol" não é a melhor maneira de dirigir uma crítica.
"Há várias formas de criticar o trabalho de um treinador. Não é preciso ofendê-lo, porque acho que a ofensa é algo que não deve fazer parte [do futebol]. Sou contra isso, ponto final. Eu não posso e vocês não podem viver do futebol e tratar mal o futebol nem as pessoas do futebol. Isso não pode acontecer. As pessoas não podem ser agressivas nem ofensivas com ninguém, ainda para mais com aqueles que vivem dentro do futebol", referiu o experiente técnico, de 64 anos, visivelmente incomodado.
Apesar de reconhecer que o Grémio não está a fazer uma boa campanha no Brasileirão - é 15.º colocado à 24.ª jornada -, Luís Castro optou por deixar um recado a alguns adeptos: "Maltratar as pessoas que estão cá dentro [do futebol], não. Peço licença ao Abel [Ferreira] para dizer o que vou dizer: não é o futebol que está doente, são as pessoas que estão doentes. As pessoas que estão no futebol".
E concluiu, num forte desabafo: "As pessoas têm filhos, irmãos e pais. Eu também sou filho, pai e irmão. Portanto, respeito. A sociedade perdeu o respeito por tudo e por todos. Isto não pode existir. Já sei que depois disto ainda vou ser mais atacado. 'Ah, lá está ele a vitimizar-se'. Não, são factos. Não estou a lamentar nada. Não são lamentações, são constatações. Sei em que mundo vivo, sei como é o futebol. Mas há limites".
Luís Castro tem sido alvo de forte contestação, principalmente nos jogos disputados na Arena do Grémio. Há menos de um mês, na eliminação no playoff da Taça Sul-Americana, os protestos subiram de tom, com os adeptos a dirigirem o cântico "Ei, Luís Castro, vai tomar no c..." ao técnico.