Abel Ferreira: «Dificilmente nos próximos dois anos irei para algum lado»

Treinador do Palmeiras diz que está num clube que o valoriza e onde se sente “parte do processo”

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• Foto: Ricardo Ponte

Abel Ferreira foi uma das presenças mais destacadas do 12º Fórum de Treinadores da ANTF que decorreu nos últimos dois dias em Viseu. O treinador do Palmeiras foi mesmo homenageado pela classe que representa, recebendo o prémio Vítor Oliveira e, no final, falou sobre vários assuntos.

"Felizmente coincidiu com uma paragem de campeonato, que não é fácil no Brasil, por causa desta paragem das seleções. E como também tinha que renovar a minha licença de treinador, e a Associação Nacional de Treinadores de Futebol é exímia em organizar este tipo de fóruns, mas também deu para partilhar as nossas experiências. Tive a oportunidade de ver, não só treinadores portugueses, mas também outros treinadores de outras nacionalidades que procuram já os nossos colóquios e os nossos eventos, porque de facto têm uma riqueza enorme a partir do conhecimento sobre as várias vertentes do rendimento desportivo, sejam elas técnica, tática, física, como também mental, questões de logística, de estruturas, e que é sempre um momento de fazer um upgrade", começou por salientar o treinador que tem tido grande sucesso no Brasil:

"Todos nós sabemos que temos de estar sempre a fazer atualizações ao nosso sistema, não chega só a fazer ao nosso telemóvel, é preciso nós estarmos sempre à procura de conhecimentos, estar sempre atualizados e a Associação Nacional de Treinadores de Futebol exige nisso. Então aproveitei para fazer aqui um três em um: ver a família, renovar a licença de treinador e também procurar conhecimento, que é algo que nestes fóruns tem sempre muito e rico."

Já com a meia-final do Paulistão à porta, seguindo-se o início do Brasileirão, Abel Ferreira aproveitou também para recuperar energias nesta rápida visita a Portugal:

"Foi bom. Uma das formas que temos também de nós recuperarmos mentalmente é desligar, sair um pouquinho do nosso contexto, poder também ver a família, mas é verdade, daqui a dois, três dias já regresso outra vez, para no meio da próxima semana, preparar essa semifinal. Ainda não está definido qual será o dia, se é quarta ou quinta-feira, mas a nossa intenção é sempre a mesma, é preparar-nos para podermos ter bons jogos, para poder ganhar títulos. É isso que os nossos adeptos querem e nos exigem e é isso que nós vamos procurar fazer."

Abel Ferreira, mesmo à distância, tem seguido com muita atenção o futebol português. "Não tanto como gostaria", como registou, mas o suficiente para ter um opinião bem avalizada: "Há uma luta renhida pelo primeiro lugar. Acho que uma equipa agora vai ter uma vantagem em relação à outra, que está em duas competições. Tem sempre ali o Porto, que é aquela equipa que nunca desiste e vai até o fim. O Braga sempre também atento. Como tive a oportunidade de dizer no Fórum, há uma diminuição de adeptos e, não me perguntem porquê, que é uma coisa que eu acho que o futebol português deve refletir sobre isso. Mas em relação à parte técnico-tática, sem dúvida e vocês veem isso, há treinadores de muita qualidade, portugueses ou estrangeiros, jogadores que saem e chegam a grandes campeonatos e dão respostas. São jogadores de facto com conhecimento, muito bem formados, isso significa que o trabalho da formação que é feito aqui nos clubes também é exímio. O futebol propriamente dito é bom e recomenda-se e não é por acaso que é uma das indústrias que mais fatura, que mais retorno traz ao nosso país. Mas acho que todos devemos fazer uma reflexão, não é só aqui, acho que é de uma forma global, de perceber muito bem que tipo de mensagens nós queremos passar para trazer mais ou menos adeptos aos estádios."

A jogar a uma média de três em três dias, até quando é que o Abel Ferreira vai aguentar este ritmo no futebol brasileiro?

"Foi no Brasil que um clube de ponta me deu a oportunidade de poder mostrar todo o meu potencial e portanto, só a partir daí, porque só com bons jogadores, com uma estrutura, com um clube para ser campeão, tu podes mostrar todo o teu potencial. Tu para seres campeão tens de te juntar aos melhores e foi isso que eu fiz. O clube onde eu estou é um clube que me valoriza, que me reconhece, onde tu realmente sentes parte do processo. Estou bem onde estou, onde quero estar, a minha família está comigo. É o momento da minha vida que posso escolher onde quero estar e dificilmente nos próximos dois anos eu irei para algum lado. É verdade, é intenso, mas também se as coisas forem bem organizadas, como disse ali no fórum, há tempo para tudo. Não posso negar que são muitos jogos, mas felizmente, ao longo dos anos, a própria CBF tem tido muita atenção no calendário. Vai haver quatro paragens este ano, portanto as coisas estão no bom sentido."

O treinador do Palmeiras falou ainda do próximo Europeu e do que espera da prestação de Portugal. "Tenho boas discussões com pessoas lá do Brasil, diretores e treinadores. Acredito mesmo e acho que Portugal chegou a um ponto de maturidade, de competitividade e do próprio grupo, que nos permite sonhar, mas sonhar de olhos abertos. Acredito mesmo que Portugal pode fazer algo de diferente, porque tem jogadores para isso. Tem um treinador extremamente inteligente, que utiliza todos os recursos que tem, ao serviço da equipa e desejo, como português que sou, todo sucesso e seguramente vou estar a torcer. Acho que Portugal chega num momento muito bom, não só por todo o passado recente, do crescimento dos nossos jogadores, como também de maturidade competitiva do próprio grupo de trabalho. Portanto, os portugueses podem ter fé e acreditar como eu acredito e digo isso aos brasileiros, pois acho que Portugal está pronto e preparado para grandes conquistas. É o meu sentimento."

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