Da proposta do Portimonense à "sacanagem" do Sport: médio brasileiro diz-se enganado, abandonado e acaba a carreira

Everton Filipe despediu-se do futebol aos 26 anos e passa por uma depressão

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Everton Filipe retirou-se do futebol aos 26 anos devido a uma série de lesões no joelho esquerdo. O médio brasileiro, que formalizou o adeus aos relvados na semana passada, diz que foi abandonado e enganado pelo Sport, pois antes da segunda lesão tinha uma proposta do Portimonense, que não aceitou por o clube brasileiro lhe ter prometido e assinado a renovação. Mas depois acabou por não cumprir...

"É difícil de falar. Nenhum jogador está preparado para se reformar aos 26 anos. Tento manter-me firme, forte, porque sou uma pessoa com muita fé, acredito que nada na vida é por acaso. Só que é difícil... Há dois anos que estou nesta luta", explicou o ex-jogador, que passa por uma depressão, em declarações ao 'Globo Esporte'.

Sem conseguir fazer normalmente coisas tão simples como andar ou subir umas escadas, Everton aponta o dedo aos departamentos médico e de futebol do Sport. "Tive uma lesão no Sport, em 2021, no menisco, quando voltei ao clube. Fui tratado e curado. Em 2022 tive outra lesão no menisco. Fui operado mas nunca mais consegui voltar. Estava sempre com dores, jogava com infiltrações e tudo... Chegou a um ponto, num jogo com o Criciúma (a 2 de agosto de 2022, no Brasileirão), que saí porque não estava a aguentar mais. Foram os meus últimos 45 minutos pelo Sport. Depois disso, não conseguia correr, o impacto doía-me muito. Disse ao Sport e prescreveram-me um tratamento conservador. Fiz esse tratamento durante um mês. Ia treinar, mas não conseguia."

O médio acrescenta que foi abandonado pelo departamento médico do clube: "Disse aos médicos do Sport 'não estou a conseguir correr, dói-me muito o joelho, ajudem-me!' Foi mesmo assim, em desespero, 'ajudem-me!' Mas nenhum deles me respondeu. Nenhum! E quando o ano (de 2022) terminou, antes de acabar o campeonato, mandaram-me um e-mail a comunicar que não contavam comigo, não tinham a intenção de renovar. Mas já tinham acertado a renovação [em agosto]! Largaram-me lesionado!"

Everton recorda que tinha aceitado antes da lesão uma proposta do Portimomense. "Nesse período, antes da lesão se agravar e de sentir as dores, tinha acontecido a proposta do Portimonense, que foi pública, toda a gente soube. Mas o Sport propôs-me a renovação do contrato para eu ficar. Assinei, ficou tudo certo, seria uma renovação até o final de 2024."

O ex-jogador revela ainda que, como se lesionou logo a seguir à assinatura da renovação, o clube não registou o contrato, que assim ficou sem efeito. "Não avançaram, colocaram-no na gaveta, não cumpriram o que foi acordado e deixaram-me lesionado. Quando fui para São Paulo pensei 'vou avançar com um processo judicial'. Fui fazer exames em São Paulo, com um médico aleatório, para o Sport não dizer futuramente que havia conflito de interesses. E ficou atestado que eu tinha várias lesões no joelho. O Sport disse que não tinha."

Os custos dos tratamentos têm sido suportados pelo ex-futebolista: "De 2022 até hoje fiz sete cirurgias ao joelho esquerdo. Nenhuma delas foi paga pelo Sport, nenhuma. Foram todas particulares."

Sem contrato e com uma lesão grave para debelar, Everton caiu numa depressão. "A partir do momento que aconteceu toda a 'sacanagem' que o Sport me fez, aquilo começou a afetar-me. Até hoje não sei por que me fizeram isto. Estou desde pequeno no Sport. Quantas propostas tive para sair do Sport? Não entendo por que me fizeram isto."

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