Era milionário, viveu nas ruas de Lisboa e foi feliz após ser 'salvo' por Nilton

Perivaldo morreu em 2017 depois de ter tido uma vida difícil

• Foto: Pedro Simões

Perivaldo é nome de craque e dentro do relvado o antigo lateral-direito mostrou a qualidade essencialmente no Brasil, onde foi campeão paulista. A vida do antigo internacional canarinho conheceu altos e baixos até morrer em 2017, segundo recorda a reportagem do 'UOL Esporte'.

Em 1987, após ter jogado toda a vida no Brasil, experimenta a liga da Coreia do Sul e alinha pelo Yukong Elephants. Depois de rescindir o contrato, é tentado pelas oportunidades que aparentavam surgir em Portugal, acabando por tentar a sorte no Torreense e no Louletano. O excesso de estrangeiros impossibilita a sua utilização em qualquer das equipas, opta por pendurar as chuteiras aos 34 anos e tentar encontrar ocupação: consegue-o como cozinheiro num hotel de luxo em Portugal. Contudo, Perivaldo Lúcio Dantas assumia os pecados.

"O erro foi meu. Vim para cá, fiz tudo errado, foi a morte do artista. Eu tinha um Rolex de ouro que valia 50 mil dólares, tinha diamantes. Vendi, gastei tudo. Comprei carros, vendi também, fui gastando tudo o que tinha e depois não consegui recuperar. Emprestei dinheiro a amigos, dei dólares a um homem para comprar umas ações para mim e ele desapareceu com o dinheiro", lembrou o antigo jogador de Itabuna, Bahia, Botafogo, Palmeiras e Bangu.



Um desencontro amoroso deitou tudo a perder, segundo contou à Globo. "Se eu tivesse juízo... Até tive um bom trabalho quando cheguei em Portugal. Em 1992, trabalhava como cozinheiro em Porto Santo, na Madeira. Ganhava bom dinheiro naquela época, uns 4 mil dólares [cerca de 3.700 euros] por mês. Mas conheci uma pessoa em Lisboa, uma portuguesa, que nem vale a pena falar, dos Olivais. Deixei tudo por ela", disse, lamentando esse encontro.

O ex-futebolista acabou por chegar à falência, começou a fazer biscates mas o rendimento não lhe era suficiente. Acabou por começar a dormir nas ruas de Lisboas e em albergues para sem-abrigo.

Tentou de tudo. Com o que ia encontrando na rua e no lixo, passou a vendedor na Feira da Ladra. O dinheiro que amealhava não era, ainda assim, suficiente para comprar comida suficiente para subsistir. Até que em 2012 a vida de Perivaldo muda ao ser encontrado por coincidência numa reportagem do '5 para a Meia-Noite', da RTP, pelo humorista Nilton. "Nem imaginam quem foi esta figura aqui. Eu fui jogador de seleção brasileira!", dizia na altura à televisão portuguesa.

Em 2013, após uma reportagem da Globo, o sindicato de futebolistas brasileiro em cooperação com o português encontram uma solução para Perivaldo que passa pelo regresso do ex-jogador ao país-natal. 

"Não sabíamos o que iríamos encontrar em Portugual. Fui com um dos filhos dele e, graças a Deus, a decisão de voltar ao Brasil foi imediata. Fizemos umas compras, hospedamo-lo num hotel e arrumámos tudo para voltar. Foi um momento emocionante em que pude ajudar um homem com essa história, o que me orgulha muito", reiterou Alfredo Sampaio, presidente do Sindicato brasileiro. Também Joaquim Evangelista se mostrou radiante pelo final feliz, mas o mais contente era mesmo Perivaldo. "Agora, vou ver os meus netos, que não conheço, os meus irmãos e sobrinhos", declarava em dezembro de 2013.

Nilton, o homem que encontrou Perivaldo, deixava o seu veredito também. "Fico feliz por involuntariamente ter podido ajudar um ser humano, seja um jogador famoso ou qualquer outra pessoa. Na verdade, eu fui só o rastilho que espoletou essa possibilidade. Fico feliz que tenha sido assim. Ele vivia na rua e as pessoas que o levaram de volta são os verdadeiros heróis", atirou o conhecido humorista.

No regresso ao Brasil, Perivaldo voltou a sorrir. O sindicato brasileiro arranjou-lhe uma casa e Perivaldo voltou a trabalhar. O antigo lateral-direito ficou responsável pelo registo de atletas no sistema e também passou a fazer parte de uma equipa técnica que elaborava treinos para os jogadores que estavam sem clube e tinham o apoio do sindicato de jogadores. "Estou aqui, gosto do ambiente, das pessoas, da maneira como sou tratado. São todos amigos de verdade. Só peço a Deus que me dê força e coragem para seguir aqui. Até me ofereceram outras coisas, mas não dá para sair daqui. O dinheiro já não me atrai, já tive muito. Eu só quero este ambiente", vincou Perivaldo, já no Brasil.

Em 2017, Perivaldo acabaria por morrer na sequência de uma pneumonia, após três anos em que havia reencontrado a felicidade.

Por Flávio Miguel Silva
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