Vágner Mancini nem dorme para construir um novo plantel para a Chapecoense

Técnico critica clubes que aproveitam o ato de ajudar para se descartarem dos futebolistas que não lhes interessam

• Foto: Getty Images Sport
Vágner Mancini, o novo treinador da Chapecoense, que substitui no cargo Caio Júnior, falecido no acidente de aviação ocorrido na Colômbia e que tirou a vida a 19 jogadores da equipa de Santa Catarina, está a trabalhar a todo o vapor para conseguir construir um plantel que possa abordar, sem sobressaltos, o Brasileirão 2017.

Não tem sido uma tarefa fácil, até porque, atualmente, Mancini frequenta um curso da Confederação Brasileira de Futebol, em Tersópolis, para o qual já se encontrava inscrito antes de chegar a acordo com o Chapecoense. Os dias são muito preenchidos, até porque não de trata de contratar meia dúzia de reforços, para posições específicas, mas sim de construir um plantel... inteiro.

Em entrevista à SportTV brasileira, o treinador, de 50 anos, explica como vai gerindo o seu tempo, para que nada seja deixado para trás.

"Há diretores em Chapecó, a tentar formar o plantel e estamos em contato. A minha rotina é das 8 às 19 horas no curso em Teresópolis e, a partir das 19, foco-me totalmente na Chapecoense. Nos últimos dias, fiquei das 20 à meia-noite a fazer contactos, a tentar um atleta ou outro", revela o treinador da Chapecoense, admitindo que as amizades que cultivou ao longo da carreira têm dado uma ajuda.

"Dentro do futebol há muita amizade. Dentro disso, procuramos elementos que permitam reestruturarmo-nos rapidamente, mas não tem sido fácil. As noites de sono diminuíram bastante, mas sabemos que a necessidade é exatamente essa", assume Vágner Mancini, insistindo na situação anómala em que se viu envolvido.

"É atípico. Normalmente, nos clubes, quando viramos o ano empregados, vamos atrás de sete ou oito atletas, às vezes, 10. Nunca tinha visto um clube que necessita de 25 atletas no mínimo. Tem sido desgastante", admite o técnico do emblema catarinense, satisfeito por ter conseguido assegurar já alguns reforços, cujos nomes só revelará depois dos respetivos contratos estarem devidamente assinados.

"Temos alguns atletas, perto de 10 acertados, mas não posso dizer nada, nem momes. Peço desculpas, mas não tivemos tempo de assinar contrato com eles. É uma correria boa, porque vivemos disso, mas ao mesmo tempo traumática porque temos que acelerar um processo que normalmente é feito com calma", considera Mancini, não escondendo algum desalento pelas falsas promessas de ajuda que não se concretizaram.

"Muita gente, após o acidente, ofereceu ajuda, até com atletas pagos, mas na prática isso não tem acontecido. Não podemos ser injustos, porque algumas equipas têm dedicado muito tempo à Chapecoense e exaltamos isso, mas outras, não. Existe uma grande diferença entre ajudar, cedendo atletas com salário pago, e oferecer atletas que você não quer no seu plantel", constata o técnico, criticando esta segunda atitude.

"Há uma bela diferença... resolve seu problema: 'Tenho sete ou oito jogadores que não vão ficar para 2017 e esses ofereço à Chapecoense'. Não foi isso que entendemos. Não vamos alongar isso, mas eu gostaria sinceramente que essa ajuda viesse do coração", conclui Vágner Mancini.
Por João Lopes
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