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Bellerín: «Quando vou a um desfile de moda ou o Borja Iglesias pinta as unhas é um problema»

• Foto: Lusa/EPA

Bellerín, após uma passagem fugaz pelo Sporting na época passada, regressou ao clube do seu coração, o Betis, onde também tem a possibilidade de alinhar com a sua cor favorita, o verde. Aos 28 anos, o internacional espanhol mostra-se cada vez ativo na luta pelas causas sociais e, numa entrevista concedida à BBC, abordou vários temas - incluindo o futebol - onde se mostrou cada vez mais preocupado com a pressão feita sobre os jogadores.

"Sinto que de dia para dia o futebol está cada vez mais elitista em que a principal preocupação são as margens de lucro e cada vez menos os adeptos que são os responsáveis por tornarem o futebol grandioso", afirmou o lateral que deu o exemplo do próximo Mundial que será disputado no México, Estados Unidos da América e Canadá: "Com a prova a ser disputada em três países tornam cada vez mais difícil aos fãs seguirem a sua seleção. Temo que estejamos a perder a verdadeira essência pois são os adeptos que tornam o futebol tão grande...São eles que nos seguem e nos veem todos os fins-de-semana. Eu entendo que o futebol como indústria tem de modernizar-se, mas creio que por vezes não podemos ir tão longe".

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O defesa garante que os jogadores estão cada vez conscientes e assinala que "nem todos querem conduzir carros nem serem fortes e másculos". Em Sevilha, o jogador utiliza os transportes públicos e, em conjunto com a namorada, Elena, desenvolveu um projeto junto de crianças desfavorecidas nos bairros mais pobres da cidade andaliza, onde é vários vistos a jogar à bola e a falar com os menores dando-lhes conselhos e ouvindo os seus problemas. "Acho engraçado quando dizem que os jogadores se deviam limitar a falar de futebol. Se conduzirmos carros rápidos, jogarmos PlayStation, ou nos embebedar-mos não há problema, mas quando eu vou a um desfile de moda ou quando o Borja Iglesias pintou as unhas, por exemplo, já é um problema e questionam se isso não afeta o nosso futebol", acrescenta o jogador que defende que os clubes devem dar "apoio psicológico" aos seus atletas.

Contra o consumismo

Em Sevilha, Bellerín sente-se completamente em casa no Betis que é considerado o clube mais verde de Espanha dadas as políticas ecologistas. Entre as medidas da direção regista-se o facto do emblema andaluz disponibilizar bicicletas elétricas e aceleras aos seus funcionários para fazerem as deslocações mais curtas. "De todos os grandes clubes em Espanha, o Betis está a dar o exemplo e sinto-me orgulhoso de representar esta equipa", assegura.

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Reconhecendo que no passado "comprava muita roupa", o internacional espanhol garante que está mais moderado e cuidadoso no consumo. "Hoje em dia tento ser muito mais comedido, tenho de facto muita roupa", acrescenta assumindo que também está muito mais cauteloso no momento das compras procurando sempre optar pelos produtos recicláveis. A nível político defende a participação políticas de todos os cidadãos. "O voto é a melhor maneira de darmos força às causas que apoiamos", acrescenta o jogador que tem uma participação no Forest Green Rovers FC, um clube que disputa os escalões secundários do futebol inglês e que foi pioneiro a adotar a alimentação vegan, um estilo de vida que o lateral segue há vários anos.

Para terminar, o futebolista considera que os clubes europeus podem fazer muito mais pelo ambiente, e dá exemplos que são seguidos há anos anos em Inglaterra. "Não é preciso fazermos todas as viagens de avião. Na Europa é possível chegar a qualquer lado de comboio. Quando estava no Arsenal e tínhamos de viajar para Manchester ou Liverpool íamos de comboio que é uma opção mais barata e sustentável", concluiu.

Por João Soares Ribeiro
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