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O menino do Casal Ventoso é agora modelo no Mestalla

O menino do Casal Ventoso é exemplo no Mestalla

Aos 29 anos, João Pereira é um valor seguro tanto na Seleção Nacional como no Valencia. O lateral-direito vai apenas no segundo ano no emblema espanhol mas a sua dedicação e regularidade exibicional ao serviço dos che já se sente e o "Superdeportes", um dos jornais de referência da comunidade valenciana, elogia as qualidades do jogador.

"Um exemplo pelo seu comportamento dentro e fora do terreno de jogo", sublinha o referido jornal, algo que poderá ser surpreendente atendendo aos episódios que foram marcando a carreira de João Pereira em Portugal. A mesma publicação não hesita em encontrar traços do italiano Amedeo Carboni, lenda do Valencia e um clube onde alinhou em nove temporadas até se retirar, em João Pereira, lembrando o episódio em que o português se dirigiu à bancada para oferecer a camisola de jogo a um jovem adepto.

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O próprio futebolista não teve papas na língua na apresentação no Valencia e mostrou a sua raça, afirmando que gosta "mais de jogar do que estar a falar". "Trabalhei muito para um dia chegar aqui", recordou João Pereira depois de representar quatro clubes a nível profissional em Portugal - Benfica, Gil Vicente, Sporting de Braga e Sporting.

"Bad boy" em Portugal

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"Sou muito mais calmo quando estou fora do relvado mas sempre fui uma pessoa extrovertida", assim se caracterizava o jogador numa entrevista concedida a Record, em dezembro de 2009, ainda no Sporting. O jogador reconhece um passado turbulento e assume que "há anos fazia coisas que não devia fazer" mas a "maturidade" aparece com o passar dos anos.

A infância vivida no bairro do Casal Ventoso, algo que o jogador nunca escondeu, poderá ter contribuído para o caráter intempestivo de João Pereira. As passagens por Benfica e Sporting foram pródigas em altercações com colegas de profissão e também com técnicos. A começar pela quezília com Rafael, do V. Guimarães, em 2005, acabando com João Pereira esmurrado por este, pelo desaguisado com Pedro Caixinha no final de um Sporting-Nacional ou pode ser recordada até a expulsão do treino da Seleção B, orientada por Agostinho Oliveira, que remonta a 2006, numa situação que o próprio justificou ter a ver "com o próprio e não com colegas". A irreverência sempre foi uma virtude em campo e uma desvantagem fora dele. Com o passar dos anos, João Pereira acabou por controlar melhor os seus "impulsos" que também foram visíveis no processo disciplinar. No célebre "jogo do título" benfiquista, disputado na Luz em 2004/2005, o defesa direito terá mandado calar José Peseiro e o jogador recordou, a Record em 2009, a situação de forma perentória: "Estou completamente tranquilo em relação a isso. Defendia outro clube na altura", sentenciou, abordando a passagem pela Luz.

Os números mostram que em Portugal, o lateral-direito sempre foi atreito a ser admoestado com cartolinas das duas cores. Desde que foi lançado por José Antonio Camacho em 2003/2004 até deixar o Sporting no verão de 2012, João Pereira recebeu seis vezes a ordem de expulsão e terminou a era de Alvalade com um recorde pessoal de 18 cartões em 2011/2012, contabilizando todas as provas, nacionais e internacionais.

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Sucessor de Miguel

João Pereira aterra no Mestalla no verão de 2012 com 3,7 milhões de euros a entrarem nos cofres de Alvalade, um valor quase irrisório para o titular da lateral direita da Seleção de Paulo Bento, o mesmo técnico que o estreeou na equipa das quinas e que lhe deu o estatuto de indiscutível. A missão do jogador formado no Benfica era ganhar um lugar no onze de Maurício Pellegrino depois da formação che ter vivido um período de turbulência naquela posição.

O também português Miguel, futebolista que passou pela Luz tal como João Pereira, havia sido o último jogador a agarrar aquele posto, após terem alinhado ali e com pouco sucesso Barragán, Bruno ou Ricardo Costa, que originariamente é defesa-central. Os números falam por João Pereira: na época de estreia no Mestalla, realizou 37 partidas, atuando 28 delas como titular. Na segunda época no Valencia, o defesa português ainda não falhou um jogo no campeonato espanhol, jogando todas as sete jornadas até agora disputadas a titular. Desde a chegada do português ao Valencia, o clube já teve três treinadores (Pellegrino, Valverde e Dukic) e qualquer deles não teve dúvidas em dar a titularidade a João Pereira.

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Um passo atrás

Em 2005/2006, com Ronald Koeman ao comando da equipa, o jogador vê o espaço de manobra no plantel ficar reduzido depois de se sagrar campeão nacional pelo Benfica em 2004/2005 e onde disputou o lugar de lateral mas também de médio direito. Giovanni Trapattoni via na polivalência de João Pereira um bem precioso para a equipa e apostava na sua consistência defensiva de modo a "fechar" jogos que poderiam estar em risco de cair para o lado do adversário.

Com o reforço da equipa, e a chegada de Nélson e Alcides, João Pereira acabaria por rescindir com clube que fez crescer e assinar pelo Gil Vicente, numa época em que o emblema gilista acabaria por descer face a decisão administrativa devido ao "Caso Mateus". O lateral-direito não desistiu, e no segundo escalão do futebol português, mostrou as qualidades que fizeram dele um internacional pelas camadas jovens portuguesas e suscitou o interesse do Sporting de Braga que acabou por adquirir os serviços do português. "Criei muitos sonhos", assumiu o jogador mais tarde, sustentando que a passagem por uma divisão inferior permitiu-lhe "colocar os pés no chão" e redobrar esforços para jogar entre os grandes.

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