Rui Silva: «Às vezes as pessoas esquecem-se que os futebolistas têm sentimentos»

• Foto: Reuters

A cumprir a segunda época no Betis e a sétima no futebol espanhol, o guardião Rui Silva concedeu uma entrevista à revista 'Panenka' onde percorreu toda a carreira desde o início no futsal, à chamada à Seleção. "Quando comecei queria ser avançado, gostava de fintar e marcar golos. Nem era mau, mas como era mais alto do que os outros o treinador desafiou-me a ir à baliza. Disse 'não há problema'... e aqui estou", começa por lançar o português que só aos 12 anos passou para o futebol, no Maia. 

Daí até à estreia como profissional no Nacional da Madeira "passou tudo muito rápido", até quem janeiro de 2017 se mudou para o Granada, da 1.ª liga espanhola: "Sabia pouco sobre o clube. O [Daniel] Candeias, que jogava comigo no Nacional, passou por lá e ajudou-me muito na adaptação. Em Granada passei por um pouco de tudo. O primeiro ano e meio foi difícil a nível mental. Estive uma época na 2.ª divisão quase sem jogar, comecei a ter dúvidas e tentei sair. Mas o clube não deixou e com ajuda da família e da minha mulher, consegui aproveitar quando a oportunidade chegou. Depois na 1.ª comecei a ter continuidade, ninguém acreditava em nós e chegámos à Liga Europa."

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No verão de 2021 deu o salto para o Betis, onde leva 60 jogos disputados. "Tive muitas ofertas, mas queria ficar em Espanha. Melhorei muito no Betis e com o Pellegrini, que gosta de jogar com o bloco alto. Obriga-me a estar mais adiantado, estar atento à profundidade e quando chegam à baliza há mais pressão, porque é mais decisivo. Mas temos de lidar com isso. O pior erro que posso cometer como guarda-redes é não ter coragem. Quero que os meus colegas saibam que têm alguém em quem podem confiar", conta Rui Silva que elege a conquista da Taça do Rei da época passada como melhor momento na carreira. 

"O meu pai teria querido que eu jogasse"

No ano passado, o português passou o momento mais difícil da carreira, com a morte do pai. Poucas horas depois do funeral, regressou a Sevilha e jogou a titular frente ao Celta de Vigo. "Vi a minha mãe e a minha irmã e, em vez de ficar lá a chorar, vim jogar. O meu pai teria querido que eu jogasse. No início foi difícil concentrar-me, mas tudo passa em campo", conta, antes de recordar o gesto de Iago Aspas, que lhe pediu desculpa depois de marcar um golo. "Foi muito bonito. O futebol também tem um lado  humano, às vezes as pessoas esquecem-se que temos sentimentos. O facto de uma pessoa com a carreira do Iago Aspas me ter abordado daquela forma, tocou-me."

"Claro que quero voltar a ser convocado"

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Em junho de 2021, Rui Silva estreou-se pela Seleção Nacional, num triunfo (4-0) frente a Israel e acabou por marcar presença no Europeu desse ano. Apesar da boa forma no Betis, ficou de fora da lista para o último Mundial, algo que não abala as aspirações do guardião de 29 anos: "Claro que quero voltar a ser convocado. Tenho de trabalhar e esperar a minha oportunidade... o Rui Patrício e o Diogo Costa são grandes guarda-redes. Tenho de dar o meu melhor."

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