Gabriel Paulista lembra infância difícil: «A minha casa era de madeira e chovia lá dentro...»
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Desengane-se quem pensa que a vida de futebolista é um mar de rosas. Pode sê-lo na atualidade, mas até lá chegarem a maioria dos craques tiveram de passar por momentos complicados na suas infância. É o caso, por exemplo, de Gabriel Paulista, médio brasileiro que à Cope Valencia lembrou como o futebol mudou uma vida que era pautada por dificuldades constantes no dia a dia em São Paulo.
"Somos cinco irmãos. Eu fui o que sofreu menos, mas ouço sempre as histórias da minha mãe. Isso acaba por me dar força para trabalhar, pois os meus irmãos sofreram muito. Passaram fome, a nossa casa não era boa, era de madeira e quando chovia acabava por ficar cheia de água. A minha mãe lutava para que eu pudesse comer bem antes de ir treinar...", recordou o médio, de 27 anos, que lembrou com emoção as suas primeiras chuteiras.
"Foram umas Viola, que na altura era jogador do Valencia. Quando o meu pai me ofereceu, até dormia com elas! Foi uma grande felicidade ter esse presente. Jogava até dentro de casa e partia tudo. Duraram muito, acabaram por ficar todas rotas, mas tinha de continuar a usá-las, porque o meu pai não podia dar-me outras", recordou o atual jogador do Valencia.
Tudo mudaria quando chegou aos 18 anos. "Saí de casa e fui jogar para Salvador da Bahia. Aí fiz testes no Vitória e quando assinei o primeiro contrato fui a correr pegar no telefone para ligar à minha mãe. Disse-lhe que a nossa vida ia mudar. Joguei ali durante mais cinco anos, mas ficaram na mesma casa, pois não tinha como comprar outra. Depois, quando o Villarreal me contratou [em 2013] reformei a casa da minha mãe e ficou muito bonita. Depois, quando fui para o Arsenal [em 2015], comprei uma nova. É um sonho poder ajudar a minha família. Outros amigos tentaram seguir o mesmo caminho que eu, mas alguns foram por caminhos maus e isso deixa-me triste", lamentou.