Gabriel Paulista recorda vida dura na favela: «A polícia matou o meu irmão de 21 anos»

Jogador do Valencia lembra pobreza e o que chorou quando lhe disseram que teria de pagar para continuar a jogar futebol

• Foto: Reuters

Gabriel Paulista tem 27 anos, joga no Valencia e é um futebolista bem sucedido. Mas o brasileiro, que já passou pelo Villarreal e pelo Arsenal, dá valor a cada cêntimo que ganha porque viveu e cresceu numa favela em São Paulo, onde no meio da pobreza viu um dos seus irmãos ser assassinado, com apenas 21 anos.

"Tudo o que vivi na minha infância faz-me relativizar os maus momentos do futebol. Os meus pais passaram por coisas terríveis, foram anos de muita tristeza para eles. A vida na favela é difícil. Eu sou o mais novo de cinco irmãos (quatro rapazes e uma rapariga), vivíamos numa casa de madeira que inundava de cada vez que chovia. Eles passaram fome...", contou, numa entrevista ao jornal espanhol 'As'. "Por isso, quando perco um jogo, embora fique chateado, paro e penso no que a minha mãe passou e dou-me conta que temos outro jogo dentro de dias e que um mau dia no futebol tem sempre solução."

A infância de Gabriel não foi um mar de rosas e ele faz questão que o seu filho saiba que a avó sofreu muito. "Lembro-me de dizer à minha mãe que queria ser jogador de futebol. Ela olhou para mim e disse-me que seria muito difícil porque eles não podiam pagar para que eu prestasse provas numa equipa, que teria de encontrar um trabalho e ajudar com as despesas da casa. Mas mesmo assim, ela todos os dias deixava dinheiro para eu tomar o prqueno-almoço e assim poder ir treinar. Quando assinei o meu primeiro contrato, [com o Esporte Club de Vitória] prometi-lhe que lhe compraria uma casa."

A casa surgiu algum tempo depois. "Quando assinei pelo Villarreal reformámos a casa em que vivíamos; quando fui para o Arsenal comprámos uma nova. Agora vivem numa cidade do interior, numa zona mais tranquila."

Gabriel recorda-se do dia em que lhe disseram que se quisesse continuar a jogar futebol teria de pagar. "Chorei muito porque sabia que os meus pais não tinham dinheiro. Pensei que nunca teria uma oportunidade", lamentou. "Os meus irmãos também tentaram ser futebolistas e muitas vezes os vi chorar porque não tiveram uma oportunidade. Mas eu sou crente e quando tinha 17 anos Deus quis ajudar-me. Um homem comprou o 'El Taboa Serra', um clube da quarta divisão, e ajudou-me." 

Depois, faz uma revelação: "Nunca contei isto. Um dos meus irmãos quis ser jogador e ninguém lhe deu uma oportunidade. A vida na favela é difícil e ele escolheu ir por caminhos errados... A polícia matou-o quando ele tinha 21 anos. Esse homem que comprou o 'El Taboa Serra' era amigo de infância do meu irmão e um dia telefonou à minha mãe e disse-lhe "vou dar ao Gabriel a oportunidade que o teu outro filho não teve." 

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