Jogador luso-israelita viveu pesadelo em Espanha: «Recebi mensagens como 'oxalá morras'»

Manor Solomon representou o Villarreal na primeira metade da última temporada

Manor Solomon ao serviço da seleção de Israel
Manor Solomon ao serviço da seleção de Israel • Foto: AP
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O luso-israelita Manor Solomon não tem boas recordações da curta passagem por Espanha ao serviço do Villarreal na primeira metade da última temporada. Em entrevista ao Sport 5, o principal canal de televisão em Israel, o extremo, de 26 anos, começou por lembrar a chegada ao país vizinho.

"Em Inglaterra, assim que assinas, recebes mensagens do responsável de imprensa, do delegado, do médico. Estás muito acompanhado. Em Espanha ninguém falou comigo, exceto o treinador, que falava inglês. Menos mal que o Pini Zahavi [n.d.r agente de Manor Solomon] tinha um israelita a trabalhar em Espanha que me ajudou a organizar tudo. Caso contrário, teria estado completamente sozinho. E estamos a falar de um clube que joga a Liga dos Campeões. Era assim a forma de trabalhar lá", disse, citado pela 'Marca'.

Depois, Manor Solomon denunciou as mensagens de ódio que ele e a mulher receberam devido ao conflito entre Israel e a Palestina, além de dar conta de que tinha um companheiro de equipa marroquino que não o cumprimentava.

"No Villarreal não senti hostilidade. É uma terra muito pequena e as pessoas ali não queriam saber. Mas em Espanha, desde o momento em que assinei, recebi dezenas ou até centenas de milhares de mensagens de ódio: 'Oxalá te queimes', 'Oxalá morras', insultos dirigidos também à minha mulher. No jogo contra o Sevilha, aqueci em frente aos ultras e não pararam de me insultar nem por um segundo. Puseram-me uma bandeira palestiniana à frente da cara e uma bandeira de Israel manchada de sangue. Não fazem a mínima ideia do que nós estamos a viver nem do que realmente acontece. Se me perguntarem, eu explico desde que não venham com uma atitude agressiva. No balneário havia um jogador marroquino que não me dava a mão nem me vinha abraçar quando marcávamos um golo. É uma decisão dele", contou.

"Eu não queria ficar lá. Mentalmente passei muito mal desde o início. Nunca me tinha acontecido algo parecido noutro outro clube. Durante a primeira semana estive meio deprimido. Não desfrutava nem dos treinos nem de tudo o que os rodeava. Depois chegou o jogo contra a Juventus, no Yom Kippur, no qual não joguei. A seguir, frente ao Real Madrid, não joguei nem um minuto, algo que me pareceu incrível depois de ter marcado e feito uma assistência nos jogos anteriores. Aí percebi que o treinador não confiava em mim", finalizou.

Manor Solomon chegou ao Villarreal por empréstimo do Tottenham, tendo somado 1 golo e 4 jogos. Depois, em janeiro, foi cedido pelo clube inglês à Fiorentina. O extremo nasceu em Israel, mas tem nacionalidade portuguesa por ser filho de descendentes judeus sefardistas.

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