Jogou um Mundial, brilhou em Espanha e viu a morte de perto: a história de antigo médio do Valencia
Antigo médio uruguaio teve sucesso no futebol, mas passou por anos de sofrimento
Mario Regueiro foi um nome conhecido no futebol. Internacional uruguaio, o antigo médio destacou-se no Nacional de Montevideu, jogou o Mundial'2002 e brilhou em Espanha. Na La Liga viveu tempos áureos no Racing Santander e, principalmente, no Valencia, onde pertenceu a uma das melhores equipas do clube 'che'. Foi companheiro de Cañizares, Roberto Ayala, Pablo Aimar, David Villa e também dos portugueses Caneira, Miguel e Hugo Viana.
O sucesso dentro do campo escondeu uma vida de sofrimento que Mario Regueiro revelou agora, aos 41 anos, numa entrevista ao jornal Olé, da Argentina.
O antigo médio viveu vários dramas pessoais numa autêntica maré de azar. Em 2011, Regueiro viu dois sobrinhos seus serem assassinados num ajuste de contas, no Uruguai. Em 2013, outra sobrinha sua faleceu num acidente de carro, o que acabou por levar ao suicídio da sua irmã, a mãe da jovem. Todos estes trágicos episódios fizeram Mario Regueiro cair numa depressão profunda.
"Quando entrei em depressão nem me dei conta. Quando me apercebi do que tinha já estava doente. Não tinha vontade de sair, só queria fechar-me no quarto, na cama e nem queria ver a minha mulher e os meus filhos. Para mim nem foi tão duro assim, foi pior para os que estavam à minha volta", contou ao Olé.
Foram dois anos e meio de luta constante contra a doença, uma batalha que Regueiro ganhou. O uruguaio conseguiu mesmo voltar aos relvados como profissional de futebol. Tudo por causa de um sentimento puro: o orgulho dos filhos.
"Queria que os meus filhos me vissem acabar a carreira no futebol dentro de um campo e não numa clínica. No momento em que me deram alta, ganhei a batalha, porque podia voltar a jogar".
Mario Regueiro voltou a ter sucesso no Lanús, da Argentina, e só acabou por retirar-se em 2015, a jogar pelo Atlético Cerro, clube onde começou a carreira, no Uruguai. Mas a história do antigo jogador não fica por aqui.
Esgotados os luxos proporcionados pelo futebol, Regueiro teve de fazer-se à vida e encontrou numa loja de brinquedos, que gere em conjunto com a esposa, o novo ganha-pão da família.
"Passei de chutar a bola, para embrulhá-la em presentes", diz, entre risos. O antigo médio explica que ao início custou-lhe, mas que agora se "diverte imenso" com o novo trabalho. É a alegria de quem viu a vida dar-lhe uma nova oportunidade e que a está a aproveitar ao máximo.