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Morte de Jesús de Miguel: o que se passou para a ambulância não ter entrado no relvado?
Polícia já está a investigar as circunstâncias que levaram ao trágico desfecho
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Jesús de Miguel, avançado de 30 anos do Tenerife, morreu esta terça-feira num hospital das Canárias onde estava internado desde ontem na sequência de um choque com Jesús Owono, guarda-redes do Andorra. Muitas perguntas se levantam sobre o que levou a este desfecho. Uma das principais decorre do facto de a ambulância ter ficado no exterior do estádio em vez de ter entrado diretamente no relvado. O jogador, caído no relvado, foi assistido pelas equipas médicas dos dois clubes e depois transportado de maca. A gravidade do caso foi assumida desde o 1º minuto e as possíveis responsabilidades estão a ser apuradas. O Departamento de Homicídios da Policía de Santa Cruz de Tenerife já está a investigar as circunstâncias que levaram à morte do futebolista nascido em Madrid.
De acordo com a 'Marca', a explicação está no protocolo de segurança estabelecido pelo Tenerife para este tipo de situações. "O procedimento habitual prevê que os futebolistas sejam transportados numa maca até à ambulância, que fica estacionada na rua La Mutine, junto à zona dos balneários. Trata-se de uma via que permite realizar o transporte de forma mais rápida e eficiente do que se a ambulância entrasse no interior do recinto. A disposição do estádio e as distâncias que seria necessário percorrer condicionam este procedimento, que dá prioridade à rapidez na evacuação do paciente", escreve o jornal espanhol.
A 'Marca' explica, contudo, que a entrada de uma ambulância no relvado "não é impossível" e que existe um acesso, um portão situado na bancada de San Sebastián, e que costuma ser utilizado para determinados eventos, como a chegada dos Reis Magos ao estádio.
"O protocolo prevê uma única exceção que permite à ambulância medicalizada utilizar esse acesso e entrar diretamente no terreno de jogo: os casos em que os médicos determinam a necessidade de um protocolo de imobilização absoluta do paciente, uma situação que obriga a adaptar o procedimento habitual de evacuação" acrescenta o jornal espanhol.
O avançado do Tenerife chocou com Jesús Owono, que foi imediatamente expulso, sendo que o guarda-redes está "muito afetado por toda a situação", segundo avançou a Cope, no programa El Partidazo, ainda antes de o trágico falecimento ser confirmado nesta terça-feira de manhã.
De acordo com a mesma fonte, Owono ainda não teve qualquer manifestação pública porque queria pedir desculpa em privado à família do dianteiro antes de qualquer tipo de publicação nas redes sociais. De resto, já nem é possível encontrar o guarda-redes nas redes sociais, uma vez que o próprio apagou as contas perante os insultos que tem vindo a receber.
As redes sociais rapidamente ficaram repletas de questões sobre se as consequências para Jesús Owono poderiam sair da esfera desportivo e chegar até a uma acusação de homicídio. Miguel Galán, especialista em direito desportivo, afastou esse cenário. "Com uma bola dividida e uma entrada fora de tempo, a tendêndia atual do Tribunal Supremo é o arquivamento ou a absolvição penal", começou por escrever o advogado espanhol no X.
Galán sustenta esta ideia com uma resolução do Tribunal Provincial de Santa Cruz de Tenerife, a 27 de maio, que aborda os limites do risco permitidos no desporto. Segundo o advogado, o conceito engloba situações de competição, como as referidas entradas fortes, choques inevitáveis e infrações leves ou imprudentes. O que estiver desligado da ação do jogo fica fora desta esfera. "A doutrina do Supremo diz que os excessos dentro do lance têm sanção desportiva, não penal", rematou.