O sonho de chegar a príncipe onde o ídolo Ronaldo é rei

Rodrigo Parreira rumou aos espanhóis do Barbadás à procura de outros voos

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Rodrigo Parreira

Afinal, não é só em Madrid que o grito de guerra de Cristiano Ronaldo faz eco. Em Barbadás, vila com cerca de 10.000 habitantes, na província de Ourense, no norte de Espanha, também já se ouve o famoso ‘Siiiiiii’. O autor, esse, também fala (e marca) em bom português. Aos 23 anos, Rodrigo Parreira encheu o peito de coragem, respirou fundo e pontapeou as adversidades. Em busca de outros voos no mundo do futebol, o extremo, que dividiu a formação entre o Benfica e o Belenenses, deixou o Operário dos Açores e abraçou a primeira aventura no estrangeiro. Em terras onde o ídolo Ronaldo é rei, o jovem alimenta o sonho de um dia chegar a príncipe. Para já, há que dar provas no modesto Barbadás, da terceira divisão.

"Ponderei bastante antes de aceitar a proposta. No início fiquei um pouco reticente, como é normal, uma vez que nunca tinha jogado fora do país. Analisei todos os aspetos e decidi arriscar pela aventura. Apesar de se tratar do terceiro escalão, a realidade é bem diferente e temos muito mais visibilidade. Espero que seja um trampolim para outro patamar", começou por dizer o jogador, em entrevista exclusiva a Record, admitindo que estes primeiros tempos em terras de ‘nuestros hermanos’ têm sido bem positivos: "A adaptação até foi fácil. As pessoas acolheram-me bem, apoiam-me em tudo e isso reflete-se dentro de campo. Tenho sido bastante acarinhado e o facto de o clube contar com mais três portugueses e dois brasileiros também ajudou."

E se Cristiano Ronaldo é visto como um exemplo a seguir por Parreira, o jovem natural de Lisboa tem também evidenciado uma das características mais vincadas do capitão da seleção nacional: a capacidade de marcar (muitos) golos. "Tem sido um aspeto que tenho vindo a desenvolver. Na época passada fiz 13 golos no Operário e atualmente tenho quatro em seis jogos realizados. As coisas estão a sair bem", referiu o jovem à conversa com o nosso jornal, admitindo que a adaptação a ponta-de-lança tem contribuído para este rendimento: "Nunca joguei com tanta frequência nesta posição. Já o tinha feito em 4x4x2, mas nunca sozinho na frente. Aqui comecei a fazer muitos golos nos treinos, houve um jogo na pré-época que entrei como ponta-de-lança e bisei. A partir daí, o treinador colocou-me sempre nesta posição." Apesar desta boa performance em termos de eficácia, a tarefa nem sempre tem sido fácil. "Sinto mais dificuldades na luta com os centrais. Normalmente são muito altos, há um forte contacto físico e, por vezes, jogando um futebol direto como é o nosso, torna-se complicado. Mas tento fazer o meu melhor e aproveitar as costas da defesa para, em velocidade, criar perigo e fazer golos", confessou.

Estrela dentro e…fora de campo
Comparando a terceira divisão espanhola ao Campeonato de Portugal Prio, Rodrigo Parreira garante que, no entanto, existem algumas diferenças, a começar pela forma como os adeptos lidam com o próprio clube. "Aqui as pessoas vivem muito mais o futebol. Apesar de se tratar de uma equipa amadora, que só agora tenta iniciar a profissionalização, os adeptos apoiam-nos bastante e estão próximos de nós. Numa vila pequena como é Barbadás, a média de espetadores é de cerca de 700 por jogo, número bem superior ao que se verifica na maioria dos estádios do Campeonato de Portugal", revelou. Bem distinta é também o mediatismo dos jogadores. Em Barbadás, Parreira é quase como uma estrela. É reconhecido na rua, abordado e até faz furor na comunicação social. "É uma realidade diferente. Sentimos que somos admirados pelos adeptos e a própria imprensa dá-nos importância. Todos os dias há notícias sobre o clube. Há cerca de três semanas, por exemplo, fui a um programa de rádio", contou, entre risos, mantendo os pés no chão: "Claro que todo este tratamento sabe bem, mas temos que responder dentro de campo. O principal objetivo da equipa é a manutenção, mas estamos em segundo lugar, queremos chegar ao playoff – disputado entre os quatro primeiros classificados – e, quem sabe, tentar a surpresa da subida."

Meta? 20 golos
Ambicioso por natureza, Rodrigo Parreira também já traçou uma meta a nível individual. "Quero marcar cerca de 20 golos. Esse é o número que coloquei na cabeça. Claro que não depende só de mim, mas, tendo em conta o que o campeonato tem 38 jornadas, penso que é bem possível de atingir. Vou trabalhar para isso", frisou. De resto, e para além, claro, das boas exibições, só os golos poderão dar origem a mais festejos ao estilo de CR7 e, assim, alimentar o sonho do jovem. "Pressão? Não… Esta é uma forma de me motivar. Como o Ronaldo já disse, no dia em que não sentir pressão penduro as botas. É algo normal. Quero lutar pelos meus objetivos, sei que todos os anos têm saído jogadores para clubes de divisões profissionais, na época passada saiu um para o Alavés, que agora subiu à primeira liga espanhola e espero ter a minha oportunidade. Para já, vou fazendo pela vida e marcando golos", garantiu. A julgar por este arranque a todo o gás no futebol espanhol, é bem provável que, aos fins-de-semana, a população de Barbadás continue a ouvir o tão aclamado… ‘Siiiiiiiii’!

Por Fábio Aguiar
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