«Os meus amigos trabalham 8 horas a picar pedra e são mais felizes do que eu. Que se passa?»
Sergi Darder, médio do Espanyol, fala abertamente dos problemas de saúde mental por que passou
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Alguns desportistas começaram, aos poucos, a admitir problemas de saúde mental e no futebol são cada vez mais os casos de jogadores que decidem falar abertamente sobre o tema. O último foi Sergi Darder, médio do Espanyol, que numa entrevista à ESPN abriu o livro e admitiu que passou por graves problemas.
"Em 2020 dei-me conta e aceitei que não estava bem. Não vou utilizar a palavra depressão porque há pessoas a passar por um mau bocado, que estão doentes, mas eu precisava de ajuda. Quis ser futebolista, ter uma casa, carro, família, filhos... Tinha tudo isso, mas não era feliz", conta o futebolista, de 28 anos.
"Tinha que mudar. Não posso estar numa situação onde tenho tudo, sou o homem mais sortudo do mundo e não sou feliz. Os meus amigos trabalham oito horas a picar pedra, não têm dinheiro e são mais felizes do que eu. Que se passa?", acrescenta Sergi Darder.
Os que lhe são mais próximos verificaram que o médio não estava bem. "Durante um ano a minha mãe, a minha mulher e o meu empresário diziam-me 'não estás bem, não te feches no quarto, sai e procura ajuda'. Eu dizia-lhes 'o quê? Como vou a um psicólogo? Estou bem'. Foi difícil de aceitar, mas quando o fiz dei-me conta que não tinha motivação para fazer nada. Não tinha vontade de jogar ou de treinar. Toda a gente era melhor do que eu, sentia que não valia nada. Tinha 26 anos e dizia 'tenho mais 10 anos de futebol, quero aproveitá-los ao máximo e não sofrer'."
Desde que procurou ajuda as coisas mudaram: "Agora posso dizer que desfruto novamente do futebol, algo que não acontecia há dois anos. A primeira coisa que fiz foi ir a um psicólogo para colocar ordem na minha vida fora do futebol, ter uma boa relação com a minha mulher, com os meus filhos. Estava sempre com raiva e isso magoava-os. Queria recuperar a alegria de viver. Se tinha uma má sessão de treino não queria falar de ninguém; se me diziam alguma coisa gritava-lhes. Estava mal, o futebol tinha-me dominado em demasia. Devorava-me, agoniava-me. Procurei ajuda."