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Depressão CR7

Depressão CR7
• Foto: EPA

Cristiano Ronaldo não está bem e os problemas no Real Madrid começaram de novo. Seja pelo novo posicionamento tático, motivado pela entrada em cena de Rafa Benítez, seja por um cíclico défice de forma ou por pura desmotivação, a verdade é que o craque português vive um mau momento. Desde que chegou à capital espanhola, nunca tinha estado 4 jogos sem marcar no início de uma época. Ficou em branco em duas partidas pelos merengues e outras tantas pela Seleção Nacional . Desde que regressou de férias, CR7 só fez um golo, num particular frente ao Manchester City. Aliás, se elegermos os particulares para esta contabilidade, a seca é surpreendente: 583 minutos sem marcar!

"Está a viver um ciclo menos bom e os adeptos não estão a ajudar, como se pôde comprovar no particular frente ao Galatasaray, no Bernabéu", começa por dizer Paulo Futre, profundo conhecedor do futebol espanhol e amigo de Ronaldo. "Ele está a 9 golos de Raúl e vai tornar-se o melhor marcador da história do Real. Quando ultrapassar esse desafio pessoal, ficará mais tranquilo", conclui o antigo internacional português.

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Já Leonel Pontes, ex-adjunto de Paulo Bento na Seleção e antigo tutor de CR7 nos tempos do Sporting, frisa a existência de "um novo posicionamento" em campo. Sem pretender alongar-se, até porque diz "desconhecer todo o contexto", evita também dar conselhos ao jogador. "É evidente que surgiu um novo técnico e que o seu posicionamento em campo foi alterado. Mas nada mais sei. Se seria preferível sair? Só ele o pode dizer", ressalvou o treinador do Panetolikos, da Grécia.

O conhecido psicólogo do Desporto Jorge Silvério dá-nos uma visão abrangente deste caso: "Temos de analisar esta questão nos mais variados aspetos e não só desportivo. Houve alterações no clube, mas Cristiano também é extremamente competitivo e preocupa-se com o facto de não marcar golos. Não é imune aos comentários negativos que fazem dele e a preocupação torna-se ainda maior".

A 9 golos de mais um feito histórico

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A seca de golos deste início de temporada atrasou o próximo grande recorde de Ronaldo.Com 314 remates certeiros, o português está a prestes a tornar-se o melhor marcador de sempre do Real Madrid. Encontra-se a apenas 9 golos de Raúl González , depois de, na época passada, ter ultrapassado outras duas grandes figuras do clube, Santillana, que tem 289 golos, e Di Stéfano, que somou 305. Por ironia, a marca pode ser batida num período em que jogador e "aficción" estão de candeias às avessas...

Currículo fenomenal

A iniciar a sétima época ao serviço do Real Madrid, Cristiano Ronaldo conheceu sempre altos e baixos. Os problemas foram vários, sobretudo a nível psicológico e de relacionamento com os adeptos. Mas quem olha para a estatística fica boquiaberto. CR7 bateu os mais diferentes recordes, e apresenta um folha de serviço invejável, a nível individual e coletivo.

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Florentino nada garante

Questionado ontem sobre uma possível saída no verão de 2016, o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez, foi evasivo: "Na vida nada podemos garantir.Tem contrato e queremos que continue. PSG? Se pagarem a clásula [1.000 milhões de euros!] podem levá-lo, mas, hoje, é impossível o Real sem Ronaldo. É o mais emblemático e o melhor do Mundo", disse ontem, em entrevista à Cadena Cope. Entretanto, CR7 fez ontem trabalho de ginásio e deve ser titular, sábado, em Barcelona, diante do Espanyol.

Últimos rumores

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Cristiano Ronaldo tem contrato com o Real Madrid até 2018 e uma cláusula de rescisão de 1.000 milhões de euros. Mesmo assim, um pouco por todo o Mundo, não faltam notícias sobre uma possível saída, principalmente a partir do momento em que surgiram os primeiros problemas entre o jogador e o público do Bernabéu:

13 de junho de 2011

"Ronaldo pediu 23,5 milhões para assinar pelo City"

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17 de maio de 2013

"PSG irá oferecer 100 milhões por CR7"

13 de junho de 2013

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"Ronaldo entre Real e Monaco"

18 de junho de 2013

"Ronaldo nem por 150 milhões. Florentino ignora propostas "

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12 de julho de 2013

"City oferece salário de sonho a CR7"

18 de fevereiro de 2014

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"Beckham quer CR7 em Miami"

5 de setembro de 2014

"Quero voltar um dia ao United", diz Ronaldo

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20 de setembro de 2015

"Van Gaal acredita num eventual regresso ao Man. United"

29 de março de 2015

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"Man. United disposto a pagar 110 milhões"

25 de maio de 2015

"Man. United insiste em Ronaldo"

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30 de maio de 2015

"PSG atento à ‘infelicidade’ de CR7"

8 de setembro de 2015

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"Nem com 150 milhões o PSG conseguiu comprar Ronaldo"

Frasco de ketchup vai estourar

Os 4 jogos sem marcar, registo inabitual na carreira, podem ter feito soar o alarme, mas não são um sinal de abrandamento do apetite devorador de Cristiano Ronaldo ou de uma quebra do tremendo poder de definição. Tal como Carlo Ancelotti defendeu, a situação é estranha, mas dificilmente CR7 não terminará o exercício como melhor marcador, mesmo que não atinja os estratosféricos 61 golos de 2014/15. Basta olharmos para o seu rendimento nas duas primeiras jornadas do campeonato espanhol, depois de ter falhado parte da pré-temporada devido a uma lombalgia. Em Gijón (0-0), sem Benzema, CR7 foi quem mais rematou (10 em 26) e enquadrou (4 dos 8), mesmo com uma ligação perra entre o meio-campo e o ataque que dificultou a sua prestação. Na receção ao Bétis (5-0), com Benzema – a procurar espaços para explorar o seu futebol associativo –, CR7 voltou a ser quem mais rematou (6 em 21) e enquadrou (5 dos 11).

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Feitas as contas, é fácil perceber que Cristiano Ronaldo foi o responsável por 47,4% dos remates enquadrados de um Real Madrid que Benítez insiste em desenhar a partir de Gareth Bale. Na Seleção, o maior dilema continua a ser a indefinição sobre o sistema que melhor poderá perscrutar o seu futebol superlativo, o que passa também pela ausência de um ponta-de-lança que o liberte. Como extremo livre, como aconteceu ante a França (0-1), a sua vontade indómita de estar em toda a parte esbarrou no carrossel delineado por Fernando Santos, o que redundou em desordem tática; como falsa referência ofensiva, ante a Albânia, mostrou uma disponibilidade tremenda para fazer o carrossel girar, mas não é de costas para a baliza ou longe desta que poderá oferecer aquilo que dele mais se espera: a capacidade para fazer a diferença. *

OPINIÃO - Sergio Fernández, Jornalista da ‘Marca’

Nada se passa e tudo se passa

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Nada se passa com Cristiano. Ele sente que tudo se passa, mas a realidade não é bem essa. Quando as coisas começam a correr-lhe mal, dá voltas à cabeça, encontrando um problema que não é, em absoluto, tão grave como imagina. Apesar dos esforços diários para mostrar o seu melhor sorriso no Instagram, não está cómodo. Ancelotti encantava-o, mas com Benítez há ainda pouco tempo de trabalho e os métodos deste treinador são muito mais clássicos do que os do italiano.

Tanto o clube como o treinador dão agora demasiada atenção a Gareth Bale, sobre o qual passa o futuro do Real Madrid. O galês tem agora muito mais protagonismo na imprensa e dentro da própria equipa. Mas tal não belisca o estatuto de Cristiano Ronaldo de estrela indiscutível dos merengues. Há ele e , longe, bem longe, os outros, incluindo o capitão Sergio Ramos, campeão do Mundo e bicampeão da Europa.

Ronaldo não é, de resto, alguém que encare de forma muito sensata a frustração. Está tão acostumado a ser brilhante, que vive como um problema maior aquilo que outros encaram como um normal défice de forma física.

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