Enrique Riquelme pede "tempo para dialogar" a Florentino Pérez: «Por um processo eleitoral mais transparente»
CEO da Cox escreveu uma carta aberta ao presidente do Real Madrid
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Enrique Riquelme perfila-se cada vez mais ser o grande oponente de Florentino Pérez nas eleições do Real Madrid, convocadas pelo próprio presidente na passada terça-feira. O CEO da Cox escreveu uma carta aberta a Florentino, difundida por vários meios da imprensa espanhola, na qual não deixa já explícito que vai avançar, mas afirma que "cumpre os requisitos de antiguidade e económicos" para o fazer.
Sem esquecer o legado do atual líder merengue, realçando como o Real "sob a sua liderança, reforçou a sua independência, o seu prestígio institucional e a sua posição como a entidade desportiva mais admirada do mundo", o empresário lançou um apelo de diálogo. Assim, Riquelme pediu que haja uma revisão dos estatutos, tanto a nível dos prazos, visto que, os putativos candidatos só têm 10 dias (de hoje, dia 14, até 23 de maio) para se apresentar uma lista, como dos requisitos para uma candidatura, que restringe bastante o número de sócios que se possam chegar à frente, devido ao tão falado critério do pré-aval bancário do candidato que deve cobrir, pelo menos, 15% das despesas do clube.
Neste sentido, Riquelme apela a "um processo eleitoral participativo onde os sócios sejam convocados para construir juntos o Real Madrid, mantém prazos regulamentados que não correspondem ao fomento da participação que as democracias modernas exigem".
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Leia a carta de Enrique Riquelme a Florentino Pérez na íntegra:
"Estimado Presidente,
Permita-me transmitir-lhe, antes de qualquer outra consideração, o meu mais sincero respeito e agradecimento por tudo o que representou para o Real Madrid durante estas últimas décadas. Sob a sua liderança, o Real Madrid não só conquistou títulos inesquecíveis e dominou o futebol mundial, como também reforçou a sua independência, o seu prestígio institucional e a sua posição como a entidade desportiva mais admirada do mundo.
Precisamente pelo enorme respeito que a sua figura merece, permito-me escrever-lhe estas linhas a partir do México, onde me encontro por motivos profissionais e onde tomei conhecimento da possibilidade de uma convocatória iminente e célere para a presidência do clube. Compreendo perfeitamente que qualquer decisão que adote será guiada pelo seu amor ao Real Madrid e pelo seu desejo de proteger a instituição. Precisamente pela transcendência histórica do momento que o nosso clube vive, acredito humildemente que o madridismo merece tempo, serenidade e reflexão.
O nosso Clube, após quase vinte anos sem um processo eleitoral participativo onde os sócios sejam convocados para construir juntos o Real Madrid, mantém prazos regulamentados que não correspondem ao fomento da participação que as democracias modernas exigem. Os sócios, espalhados por toda a Espanha e pelo estrangeiro, merecem tempo e sossego para debater com calma o futuro do Real Madrid. Tempo para dialogar sobre como preservar os valores que tornaram este clube eterno: a exemplaridade, a elegância institucional, o respeito pelo adversário, a excelência, a unidade e a ambição de continuar a ser a referência mundial do desporto.
Por tudo isto e com o máximo respeito, gostaria de lhe transmitir a nossa plena disponibilidade para dialogar conjuntamente nos próximos dias e acordar um processo mais abrangente que permita e fomente a participação real dos sócios e madridistas no seu futuro. Como o próprio referiu na sua conferência de imprensa, um processo mais transparente e inovador face às eternas lacunas que rodeiam, por exemplo, o voto por correio ou a disponibilidade para conhecer e contactar os sócios com direito a voto. Um processo acordado para esta convocatória que permita assegurar outros vinte anos de estabilidade, liderança e grandeza para o Real Madrid, evitando levar o madridismo a um tempo de rutura, polarização e tensão interna.
Devo deixar claro, para evitar insinuações que desviem o objetivo último desta proposta de diálogo e unidade, que cumpro todos os requisitos económicos e de antiguidade para apresentar uma candidatura. Conto com a capacidade económica e experiência financeira que o Real Madrid exige, como ficou demonstrado com a recente emissão bem-sucedida de 2.000 milhões de dólares no mercado por parte da Cox, companhia da qual sou Presidente Executivo e detenho 75%, mas acredito sinceramente que este caminho que lhe proponho seria o melhor para os sócios, para a instituição e para o futuro do clube.
As instituições verdadeiramente eternas são aquelas que sabem unir experiência e renovação, passado e futuro, legado e continuidade. E poucas instituições no mundo têm uma responsabilidade histórica tão grande como o Real Madrid. Seja qual for a sua decisão, a sua presidência já pertence para sempre à história mais nobre do futebol, e garantir a unidade do madridismo num processo participativo, sereno e transparente seria o melhor legado para o futuro do Real Madrid.
Ao seu dispor,
Enrique Riquelme"