Takefusa Kubo é um dos maiores prodígios do futebol japonês. O extremo, de 23 anos, que já passou por Barcelona e Real Madrid, concedeu uma entrevista à ‘France Football’ onde abordou a cultura do seu país no que ao desporto-rei diz respeito, num país em que, sublinha, os jovens passam mais tempo a jogar no computador.
"Se fores ao Brasil ou à Argentina irás ver muitas crianças a jogar futebol na rua. Ali, o sonho de todos é ganhar o Mundial. Se perguntares a 100 crianças na rua o que querem ser quando forem grandes, talvez 98 te digam que querem ser futebolistas. Se fizeres o mesmo no Japão, poderão ser só três. Aqui, a maioria dos jovens prefere jogar videojogos do que futebol", explicou o médio da Real Sociedad.
Aos 10 anos, Kubo teve uma experiência que não está ao alcance de todos. O médio da Real Sociedad foi chamado pelo Barcelona para treinar na formação dos culés e por lá ficou durante quatro temporadas, até ter de voltar ao Japão. "La Masia é um lugar único, especial. Os treinos eram muito divertidos. Na altura era estudos, futebol, depois estudos outra vez... era assim todos os dias, até que tive de voltar ao Japão. No início tive alguns problemas em aprender o idioma, mas rapidamente me integrei na cultura espanhola", assumiu.
Regressou ao Japão, mas a sua ligação a Espanha não ficou por aí. Em 2019 assinou pelo rival Real Madrid, mas não vingou no clube e cumpriu sucessivos empréstimos (Maiorca, Villarreal e Getafe).
"Estava a jogar com os meus colegas no Japão e de repente estou a treinar no melhor clube do mundo. É outro universo. Ficava muito nervoso em cada treino de posse de bola, em todos os exercícios, porque não queria perder a bola. Tinha de mostrar o meu valor, e essa pressão fez-me bem. Como fazia parte dos jogadores extracomunitário, o Real Madrid não me pôde inscrever e saí por empréstimo. Não culpo os clubes porque na realidade tudo dependia de mim e, no final, até me ajudou a ser melhor."
Na temporada passada, o médio cumpriu o sonho de se estrear na Liga dos Campeões pela Real Sociedad, clube que o contratou aos merengues em 2022. "A Champions é como quando vais a um bom restaurante, queres sempre voltar! Já o provaste, sabes que é bom e o quão bonito é o lugar. Obviamente tenho vontade de jogar todos os anos. O clube, tal como eu, quer fazer um melhor desempenho do que o do ano passado."
A cobiça da Arábia Saudita chegou também ao médio japonês, mas, por enquanto, assume que gostava de permanecer numa liga de topo no futebol europeu. "Recebi uma oferta da Arábia Saudita, mas não estou interessado. O que mais me importa desde pequeno é jogar contra os melhores e com os melhores. Se algum dia, no futuro, a Arábia Saudita se tornar na melhor liga do mundo, pelo mérito desportivo, então eu irei. Mas, de momento, só é atrativo no aspeto financeiro. Tenho de permanecer numa liga de elite. Esse é o meu sonho, não o dinheiro. Se fosse o contrário, estaria lá."
Por Record