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Angers: O sorriso do triunvirato

Angers: O sorriso do triunvirato
• Foto: reuters

É a partir de um triunvirato que se constrói um dos contos de fadas que tem arrebatado o futebol europeu. Regressado ao escalão maior do futebol francês, após 21 anos de ausência, o Angers é o surpreendente 2.º classificado da Ligue 1, a 5 pontos do todo-poderoso PSG. O argelino Saïd Chabane é o dono do clube. Chegou a França, no final da década de 1980, com o objetivo de concluir os estudos. Gosta de vestir bem, ao estilo dos velhos cavalheiros britânicos, mas o seu trabalho hercúleo, dentro e fora do clube, é feito em silêncio e com os holofotes apagados. Nas parcas entrevistas que concede, opta por respostas lacónicas, o que lhe vale o epiteto de taciturno. Não renega as origens, contando, com emoção, as dificuldades que atravessou na década de 1990, ao conviver com situações de desemprego, da mesma forma que se orgulha do seu trajeto, à boa maneira americana, de homem que se fez sozinho. É dono de doze empresas, grande parte delas ligadas ao setor agroalimentar, e comprou o Angers, em 2011, rodeando-se de dois homens da sua confiança: Stéphane Moulin, o treinador, e Oliver Pickeu, o diretor-desportivo, que permanecem em funções, ou não fossem a estabilidade e o pragmatismo, dois vetores-chave da sua liderança.

O rosto

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Stéphane Moulin está a realizar, aos 48 anos, a sua estreia como treinador na Ligue 1, depois de um trajeto ligado ao Angers em diferentes funções: futebolista, técnico dos escalões de base e da equipa secundária, e adjunto. A organização defensiva férrea, a partir de uma estrutura de 4x1x4x1, é a imagem de marca das suas equipas, repletas de jogadores com dimensão física superlativa, que procuram surpreender os rivais através de contragolpes perscrutados pelos corredores laterais. No sábado, após arrancar um triunfo em Toulouse (2-1), o quarto em 5 jogos extramuros, perguntaram-lhe se o Angers é candidato ao título. Sorriu, exaltou pela enésima vez o desempenho dos seus jogadores, e afirmou que apenas tinha sido dado mais um passo para afiançar a manutenção.      

Na sombra

Poucos se recordarão de Olivier Pickeu como o avançado que passou, em 2001/02, pela I Liga ao serviço do Varzim, mas a sagacidade com que se move no mercado, assegurando reforços nas divisões inferiores e em campeonatos menores, é amplamente elogiada. Isto sempre com a premissa de estarem em fim de contrato e disponíveis para agarrarem a oportunidade de relançarem carreiras tergiversantes (à boa imagem do seu percurso como futebolista). Foi assim que chegou, neste defeso, Cheick Ndoye, a figura principal do arrebatante arranque de exercício, mas também Andreu, Saïss, Ketkeophomphone, Sanu, Traoré, Doré e Slimane Sissoko, jogadores que saíram do anonimato para fazerem parte das opções habituais de Moulin.

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