Rui Almeida: «Dei um contributo forte para a estabilização do Red Star»

Em entrevista a Record, o técnico português fez balanço positivo da etapa no clube francês

Rui Almeida chegou ao Red Star em 2015/2016, quando o histórico emblema acabara de subir à 2.ª Divisão de França. O projeto era a dois anos: o primeiro, de estabilização; o segundo, de luta pela subida de divisão. O treinador português, de 47 anos, inverteu a ordem e, logo na primeira época, esteve muito perto de conseguir a promoção. Em dezembro do ano passado, a meio da segunda temporada, Rui Almeida saiu, deixand o clube francês no 16.º lugar. Nesta entrevista exclusiva a Record, a primeira que concede desde que saiu do Red Star, o treinador revelou tudo sobre a saída, fez o balanço do trabalho e projetou o futuro, que até pode voltar a passar por... França.

RECORD- Quais as razões para a saída do Red Star?

RUI ALMEIDA - Acima de tudo, depois de ultrapassados os objetivos na primeira época, eu e o clube achámos que era o momento de seguirmos caminhos diferentes antes de a época terminar.

R - Portanto, foi um desejo em comum?

RA - Na época passada o Red Star ficou em 5.º lugar a 1 ponto da subida... É sempre possível fazer melhor, mas era difícil.

R - Ou seja, os resultados não foram a principal razão para a saída?


RA - Os resultados no futebol têm sempre influência. Estávamos confiantes de que esta época ia ser tranquila a nível de classificação. Naturalmente que estávamos mais longe do que fizemos o ano passado, mas não teve a ver diretamente com os resultados. Acho que devemos sempre estar um patamar acima e o patamar acima era a subida de divisão. E não estavam reunidas as condições para lutar por esse objetivo neste momento.

R - "A mim compete-me contribuir com a minha experiência e tentar ajudar o clube a crescer", confessou na entrevista a Record em dezembro de 2015. Este objetivo também foi alcançado?

RA - Sem dúvida. Fiz o máximo para deixar o clube estruturado, depois de anos noutros escalões. O Red Star tem uma enorme história e acredito que, humildemente, dei um contributo forte para a estabilização do clube no futebol profissional francês. Deixei um clube com condições infraestruturais e humanas para lutar pela subida de divisão num futuro próximo. Mas o Red Star vai necessitar de algum reforço financeiro para alcançar outros patamares, já que tem o terceiro orçamento mais pequeno da Ligue 2. Nem sempre o dinheiro faz a diferença, mas há clubes com orçamentos superiores em 20 milhões de euros.

R - E essa questão do orçamento chegou a fazer diferença?

RA - Nos últimos 5 jogos da época passada fez a diferença, em momentos de lesões e em que o nosso banco não era tão forte como o de equipas que estavam a lutar connosco, como o Dijon e o Le Havre. Nos últimos meses fez a diferença, naturalmente.

R - Sente que ajudou a reerguer o Red Star?

RA - Essa é sempre a nossa obrigação, de alcançar os objetivos. Claro que teria sido fantástico conseguir a subida de divisão, mas, dentro dos objetivos solicitados, que foi estabilizar a equipa na Ligue 2, coloquei a fasquia acima para uma uma classificação que honrasse o Red Star. Conseguimos rapidamente: em fevereiro já tínhamos alcançado quase 50 pontos quando a meta era de 45 pontos. Tenho o sentimento de dever cumprido e o reconhecimento público por parte de outros treinadores franceses também me deixa orgulhoso.




R - E agora quer agarrar um novo projeto ou pretende fazer uma pausa na carreira?

RA - Não preciso de pausa. Fiquei feliz pelo projeto, pelas pessoas que encontrei e pelo futebol francês. Ultrapassei os objetivos do clube e vou aguardar por um desafio de acordo com o que desejo.

R - Deixou portas abertas em França?

RA - Acredito que sim, com o futebol desenvolvido no ano passado e ainda o reconhecimento de ter sido nomeado para melhor treinador da Ligue 2. Já tive um convite, por exemplo, mas achei que não era o momento. Prefiro não revelar o clube, não é o mais importante agora... Há sempre um periodo em que temos de confirmar a nossa competência, é normal. E depois é uma questão de tempo. Vou aguardar e escolher dentro do que é apropriado para a minha carreira.

R - Agora a pergunta ao contrário: o futebol francês deixou-o fascinado ao ponto de ter vontade de continuar no país?

RA - Gostei muito do país e de viver em Paris. Muitos apaixonados do futebol em Portugal estão mais atentos à Ligue 1, mas a Ligue 2 é um campeonato com um nível competitivo muito forte. Por exemplo, há muitos jogadores que saem deste campeonato para o Championship ou até para a Premier League. Se recuarmos uns anos, o Claudio Ranieri estava a treinar o Monaco na Ligue 2. Dá para entender o nível competitivo. Continuar em França? Sem dúvida que sim, mas quero dar um passo diferente em relação ao desafio.

Por David Novo
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