O governo britânico apresentou ontem uma espécie de ‘Livro Branco’ para reformar o futebol inglês, propondo uma série de alterações de vulto. Os principais são a proibição dos clubes se juntarem a ligas externas, como é o caso da Superliga Europeia; a criação de um regulador independente que exerça um controlo apertado dos proprietários, designadamente quanto à proveniência dos seus fundos; uma maior da representação dos adeptos nos clubes, garantindo-lhes poder de decisão; e ainda uma melhoria da repartição do dinheiro gerado pela modalidade.
No entanto, estas ideias – que têm ainda que ser alvo de legislação apropriada – não são todas do agrado dos clubes. A própria Premier League reagiu com cautelas. "Apreciamos o compromisso do governo para proteger o êxito da Premier League, mas é fundamental que este regulamento não traga danos ao desporto que os adeptos amam ou à sua capacidade de atrair investimento ou aumentar o interesse na competição", adiantou a liga inglesa em comunicado, acrescentando: "Trabalharemos com todas as partes para assegurarmos que o novo regulador não trará nenhuma consequência indesejada, que possa afetar a posição da Premier League coma a liga mais vista em todo Mundo, por exemplo, reduzindo a competitividade ou colocando os níveis de financiamento que temos em risco." Dentro dos clubes também já se levantam vozes de desconfiança para com a proposta, como o líder do West Ham David Sullivan: "O regulador vai ter um staff enorme... será um total desperdício de dinheiro! O governo é um desastre na hora de decidir , basta ver como gerem o país", salientou o dirigente.
Em sentido contrário, a EFL, responsável pelos três escalões abaixo da Premier, elogiou o plano que destaca, em nota oficial, como "um momento marcante para o futuro do jogo".
Por Vasco Borges