Michael Owen fala da cegueira progressiva do filho: «Se pudesse dava-lhe os meus olhos»

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Michael Owen falou abertamente numa entrevista ao 'Daily Mail' sobre a doença do filho, que progressivamente está a ficar cego. James, de 17 anos, sofre da doença de Stargardt, uma condição genética rara, incurável, que atinge a zona central da retina e que lhe foi diagnosticada aos 8 anos. O antigo internacional inglês admite foi difícil receber o diagnóstico.

"Ao início foi muito complicado para mim. Obviamente queres que os teus filhos tenham uma vida perfeita, mas agora encaro tudo como um 'pequeno' obstáculo na vida do James. Claro que é algo com que ele terá de viver, mas é assim que tenho de ver as coisas", começou por dizer o antigo futebolista inglês que passou pelo Liverpool, pelo Manchester United e pelo Real Madrid, com o filho ao lado.

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"Ele significa mais do que tudo na vida para mim e se pudesse dava-lhe os meus olhos, fazia uma troca... Mas temos de viver com esta situação, não há nada a fazer. Ele podia pensar 'porquê eu?' Mas o James não é assim. Ao início talvez tenha pensado nisso, mas agora, como ele próprio diz, é um tipo positivo", acrescentou Michael Owen.

James explicou, por sua vez, que atualmente tem a "visão central desfocada", vê mal as cores e as diferentes intensidades de luz, mas mantém "uma boa visão periférica". "Costumava vir aborrecido da escola porque não conseguia ver as coisas como os outros miúdos e algumas pessoas riam-se disso. Na altura era um rapaz completamente diferente, mais negativo em relação à doença. Agora encaro as coisas de outra forma e devo isso ao meu pai. Ele ajudou-me muito e definitivamente tornou-me numa pessoa mais feliz. Aprendi a rir da situação", admitiu o jovem, que sonhava ser futebolista.

Pai e filho falam da doença de uma forma descomplexada, mas Michael Owen recorda que quando soube do diagnóstico... Não foi fácil. "Fui abaixo porque percebi as ramificações que isto teria no futuro dele. Por exemplo, não poderá conduzir. Não vai poder falar de futebol no pub comigo e com o avô porque não vai conseguir acompanhar o jogo na televisão. Mas divertimo-nos a fazer outras coisas. Ele ouve, ri e brinca. Não faz parte do meu feitio pensar nas coisas de forma negativa. Não acordo todas as manhãs a pensar 'Oh o James, os olhos...' Acordo e penso 'que companheiro!' Ele é genuinamente um bom rapaz."

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O antigo futebolista, de 44 anos, tenta tirar o melhor da situação e diz que até passa mais tempo com o filho. "Conduzo-o para todo o lado. É o cenário perfeito para qualquer pai. A dada altura pensamos que os nossos filhos crescem, saem de casa. É um pouco positivo pensar que ele vai estar sempre perto de mim."

E se ao início Owen e a mulher levavam James todos os meses ao hospital para consultas de rotina, rapidamente deixaram de o fazer. "Para quê? Para nos dizerem que ele não vai melhorar? Para dizerem que piorou cinco por cento nos últimos dois anos?"

A esperança de uma cura para uma doença que afeta 1 pessoa em cada 10 mil não deixa de estar presente. "Esperamos por um tratamento que o ajude, mas enquanto isso não acontece, seguimos com as nossas vidas", concluiu Owen.

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Por Isabel Dantas
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