Com uma carreira dividida entre Inglaterra e os Estados Unidos, Ian Bishop jogou no Manchester City, no West Ham, nos Miami Fusion, nos New Orleans Shell Shockers... até que resolveu pendurar as chuteiras em 2004. O jornal inglês 'Daily Mail' encontrou-o em Miami, onde se tornou jogador de póquer, amante de aves e artista. Ocasionalmente também limpa janelas.
"Aos quatro anos já sabia que ia ser jogador", conta Bishop, nascido há 54 anos, em Liverpool. "Nem me recordo se era esquerdino ou dextro. Era o futebolista mais lento que alguma vez viste e tive de compensar isso com o meu cérebro. Jogava no meio campo. Era um 10 antes de os 10 estarem na moda", recorda.
Hoje é artista, pinta quadros. "Desde miúdo que tinha talento para isto", conta o antigo futebolista, que sempre que pode visita museus e exposições de arte. Mas tem outros talentos.
Bishop é jogador de póquer. Diz que agora já não joga muito, mas em 2006, depois de perder num importante torneio em Las Vegas, ganhou no dia seguinte 35 mil euros. "O póquer é a única coisa que me dá uma sensação parecida com a de disputar um encontro de futebol diante de 40 mil pessoas. Mas tens de ter consciência que tudo se pode voltar contra ti num segundo. Aprendi a lidar com isto - é como beber cerveja, andar em festas ou apostar em cavalos - e sei quando parar."
Amante de aves, Bishop tem uma catatua chamada Charlie. E de vez em quando ajuda um amigo "a limpar janelas".
Boato
O antigo médio passou por um mau bocado na sua carreira. Em 1991, o seu companheiro de equipa e melhor amigo, Trevor Morley, foi esfaqueado pela mulher. Pouco depois começou a correr o rumor que Bishop e Trevor eram amantes. "Sofri com isso durante 10 anos, eu tinha mulher e três filhos. O pior é que aquilo afetou mesmo o Trevor. Era o meu amigo que estava na cama, a morrer, e de repente aparecem estas mentiras ridículas."
"O 'Trev' veio para a minha casa recuperar dos ferimentos. E a brincar, numa manhã em que a minha mulher foi à cozinha fazer um chá, ele saltou para a minha cama e juntos lemos os jornais. Um homem que estava a limpar os vidros apareceu. Espero que ele tenha visto o lado engraçado da situação...", recorda.