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Depois de conduzir o Arsenal à conquista da Premier League, após 22 anos de jejum, e também à final da Liga dos Campeões, onde no próximo sábado mede forças com o PSG, Mikel Arteta ganhou inevitavelmente um lugar de destaque no futebol inglês. Em entrevista à Marca, o treinador espanhol dos gunners explica por que razão não apareceu nos festejos e conta como viveu a noite do título.
"Senti que eles sentir-se-iam mais à vontade sem a minha presença. Treinei normalmente nesse dia e, uma hora antes do Bournemouth-City, senti-me estranho, com uma energia diferente. Subi e lá estavam todos os jogadores e a equipa técnica a ver o jogo juntos. E senti que era o momento deles. Disse-lhes que ia para casa e não atendi o telefone nem vi o jogo. Os meus filhos estavam em frente à televisão e eu fui fazer um churrasco no jardim. O Gabi [Heinze] estava comigo. Ouvia barulhos dos vizinhos, mas continuei com o que estava a fazer. Assim até que, quando o jogo do City acabou, o meu filho mais velho, o Gabriel, veio, abriu a porta e, entre lágrimas, disse-me: 'Pai, somos campeões da Premier League'. Abraçámo-nos com toda a família... e foi assim que vivi o momento. Fico com pele de galinha ao ver como as pessoas viveram isso. É incrível que uma bola seja capaz de ligar tantas pessoas a essas emoções. Digo-o sempre aos meus jogadores. Não importa a tua cultura, as tuas ideias, a tua religião... a bola faz magia", disse Arteta, considerando que, após tantos fracassos, "alguém lá em cima alinhou os planetas" esta temporada.
"Já estivemos perto, mas faltava algo. A sensação tem sido diferente desde o início, talvez o tipo de jogador... mas a consistência tem sido semelhante. Eu estava convencido de que chegaríamos muito perto. Não da vitória, porque isso depende de muitas coisas. O meu trabalho foi convencê-los a sentirem-se melhores, porque houve momentos de dúvida. Dei-lhes energia e disse para aproveitarem ao máximo", afirmou.
Relativamente ao caminho das pedras que teve que percorrer até chegar ao sucesso, Arteta, distinguido como o melhor treinador do campeonato, destaca o papel da esposa. "Se há uma pessoa que, mais do que ninguém, merece o seu lugar em todo este sucesso, é a minha mulher, a Lorena [emociona-se]. O que ela fez por mim e pelos meus filhos é indescritível, porque eu, literalmente, não estou presente. E quando estou fisicamente presente, às vezes não estou mentalmente. Foi ela que conseguiu dar-me equilíbrio em casa."