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Todd Boehly e Mark Walter estão em negociações para vender a sua parte do Chelsea à Clearlake Capital, fundo de crédito privado que detém a maioria das ações do clube inglês. A Clearlake é a acionista maioritária, com 61,6% do emblema londrino, ao passo que os dois empresários contam com 12,8% cada um. Na verdade, é este fundo quem gere o Chelsea através da liderança de Behdad Eghbali e Jose Feliciano, embora o chairman seja (ainda) Todd Boehly, que liderou o consórcio, juntamente com Walter e o suíço Hansjorg Wyss, que acabaria por comprar parte do Chelsea há quatro anos por quase 3 mil milhões de euros. Agora, segundo o 'Telegraph', uma eventual venda seria feita com base numa avaliação do clube em 5,8 mil milhões de euros e colocaria a Clearlake com 87% do capital.
Quanto a Mark Walter, a intenção em vender a sua parte no Chelsea acontece apenas seis dias depois de o bilionário norte-americano, de 66 anos, ter cedido a sua participação nos LA Lakers, equipa de basquetebol da NBA, à dupla composta por Josh Kushner e Bob Iger, por mais de 12 mil milhões de dólares. Um negócio que causou algum espanto, na medida em que Walter havia adquirido os Lakers à família Buss em junho do ano passado, na altura por 10 mil milhões de dólares. A mais-valia de 2,5 mil milhões na venda é, efetivamente, tentadora, até pelo espaço temporal em que a mesma se produziu, mas a vontade de Walter há 14 meses era liderar um projeto de longo prazo em LA, algo que acabou por não se verificar.
Até por isso, a imprensa norte-americana tem questionado o timing destas duas vendas, recordando que Mark Walter está a ser alvo de uma investigação federal nos EUA por suspeitas de que tenha usado as suas seguradoras para canalizar milhares de milhões de dólares em empréstimos ilegais a empresas igualmente detidas por si. O Wall Street Journal diz mesmo que o empresário viu um dos seus dispositivos eletrónicos confiscados no âmbito das buscas. E de acordo com a Forbes, uma dessas seguradoras, a Delaware Life Insurance Company, revelou no início deste ano ter sido intimada após uma auditoria interna ter revelado que alguns investimentos não tinham sido devidamente comunicados. Em 2015, Walter pagou uma multa de 20 milhões de dólares após uma investigação da SEC, a comissão de valores mobiliários dos EUA, ter descoberto que um dos seus funcionários na Guggenheim pediu 50 milhões de dólares emprestados a Michael Milken, que se tinha declarado culpado de crimes de fraude de valores mobiliários e infrações fiscais em 1990.
Caso se confirme a saída do Chelsea, Mark Walter continuará, apesar de tudo, com algumas participações em equipas dos mais variados desportos. Por ocasião da venda dos Lakers, especulou-se que o bilionário faria o mesmo com os Los Angeles Dodgers, mas tudo aponta, para já, que continuará com a sua participação na famosa equipa de beisebol norte-americana. Além da formação sediada na Califórnia, Walter é igualmente acionista maioritário das LA Sparks (WNBA) e do Estrasburgo, clube de futebol que partilha com Todd Boehly.
Mark Walter é CEO da empresa global de investimento e consultoria Guggenheim Partners, que se estima ter mais de 300 mil milhões de dólares em activos. É também cofundador e diretor executivo da sociedade gestora de participações sociais TWG Global, tendo construído uma carreira à frente de empresas que investem em tudo, desde franquias desportivas a inteligência artificial.
Em meados da década de 1990, foi cofundador da Liberty Hampshire, uma empresa de gestão de investimentos em Chicago. Esta empresa passou a fazer parte da Guggenheim Partners, que Walter co-fundou no final da década de 1990. Para além da Guggenheim, Walter foi cofundador da TWG Global com o empresário e investidor Thomas Tull. A empresa detém uma carteira de empresas do sector financeiro e dos seguros, incluindo a Guggenheim Investments, a Guggenheim Securities, a Group 1001 Insurance e a Delaware Life. Inclui também a empresa de tecnologia aeroespacial e de defesa Shield AI.
Atualmente, a Forbes estima que a sua fortuna esteja avaliada em 9,1 mil milhões de euros.
Por João Socorro Viegas