A contrapressão de Klopp
Chamam-lhe gegenpressing...
Chamam-lhe gegenpressing. Em português, numa tradução à letra, contrapressão. É este o mote para o futebol a todo o gás que Jürgen Klopp começou a carburar num ousado Mainz 05, antes de se tornar em referência num Borussia Dortmund que alcançou um bicampeonato alemão e chegou a uma final da Liga dos Campeões – aqui, numa versão mais cínica, definindo zonas de pressão em forma de teia para fazer face à mais-valia individual dos oponentes. Após o triunfo, no último sábado, na deslocação ao terreno do Manchester City (4-1), percebe-se que a contrapressão é, cada vez mais, o termo da moda no futebol inglês, até porque há um sentimento generalizado que o subversivo “Normal One”, como equivocadamente se autodefiniu na apresentação em Anfield Road, começa a construir uma história de sucesso ao serviço do Liverpool.
O poder das transições
A contrapressão não é mais do que a resposta imediata, extremamente agressiva e asfixiante à perda da bola, ainda que, diversas vezes, se confunda com a capacidade para correr mais do que os rivais, o que não é mais do que uma consequência da vertigem, carregada de disponibilidade física, resistência e acelerações retumbantes, a que esta forma de jogar obriga. Para Klopp, se a recuperação de bola for efetuada assim que o adversário a readquira, quando ainda se está a organizar para se desdobrar ofensivamente (retirando-lhe tempo e espaço para poder dominar com qualidade a bola), há mais espaços para serem atacados, permitindo uma chegada mais rápida e incisiva à baliza adversária. Sempre com o golo como meta. Por isso, torna-se essencial que a equipa funcione de forma compacta e harmónica, com os jogadores muito próximos com ou sem bola, sempre com os momentos de transição – defensiva e ofensiva – no pensamento. Contudo, com a consciência que para perder a bola em zonas altas é preciso aí chegar com qualidade, o que obriga a ter princípios de organização ofensiva bem definidos, baseados numa posse de bola dinâmica e extremamente vertical, sempre com muitos jogadores envolvidos.
Avassalador
Na deslocação ao terreno do Manchester City, Klopp apresentou uma estrutura mais próxima do 4x3x3 do que do habitual 4x2x3x1. Ganhar o confronto na zona central do terreno, onde o adversário tinha Fernandinho, Yaya Touré e De Bruyne, assumia-se como crucial, daí o recurso ao recuo de Milner, sempre extraordinariamente disponível fisicamente, para se posicionar mais próximo de Lucas e Can. Na frente, sempre muitos próximos, Firmino, reconvertido no papel de “falso 9”, abria espaços para Lallana e Coutinho, incisivos a explorarem diagonais para o espaço interior, atacando, por norma, o espaço entre central e lateral. Três casos de renascimento com a chegada do alemão a Anfield, como atesta a forma como detonaram o quarteto defensivo dos citizens: móveis, criativos e definidores do ponto de vista ofensivo, foram contundentes a exercer uma pressão alta e a efetuar recuperações.