André Gomes e a lesão: «Via as pessoas com as mãos na cara horrorizadas e a proteger as crianças»

Internacional português do Everton sofreu uma fratura no tornozelo direito em novembro mas já regressou aos relvados

A imagem da horrível lesão que André Gomes sofreu no pé direito a 4 de novembro correu mundo, mas o internacional português do Everton não conseguiu olhar. Numa entrevista ao jornal inglês 'Mirror' o jogador recorda os meses de recuperação e não esquece aquela dor.

"Vou ser honesto, caso contrário estaria a mentir: o que aconteceu foi doloroso, muito doloroso", começa por dizer. "Uma lesão muscular não é um trauma. E quando aquilo aconteceu eu não consegui olhar para o meu pé. Tentei evitá-lo porque não queria ter aquela imagem na minha memória."

André Gomes - que regressou aos relvados no último domingo, com o Arsenal -  sofreu uma fratura com deslocamento dos ligamentos do tornozelo direito depois de uma entrada do sul-coreano Son Heung-min num jogo com o Tottenham. A imagem da dor no seu rosto e a aflição de todos os que se encontravam em campo deixou logo antever que a lesão seria grave; chegou inclusivamente a dizer-se que o português teria a carreira em risco.

"Lembro de estar aos gritos, de levantar o joelho e de não conseguir ver o meu pé. Sabia que algo estava a apontar para a direção errada. E enquanto gritava apercebia-me do que tinha acontecido porque via as pessoas na bancada a olhar para mim, com as mãos na cara horrorizadas e a proteger as crianças daquela imagem", recorda.

"Apercebi-me logo que algo estava mal porque a dor era muito forte. O problema é que tive duas lesões diferentes - os ligamentos e a fratura do osso. Nunca tentei ver as imagens", acrescentou. 

Lesão arrepiante de André Gomes: adversário ficou a chorar

O facto de o médico do Everton ter agido com prontidão ajudou na rápida recuperação de André Gomes. "O médico foi incrível, a intervenção dele foi muito importante. Foi muito rápido. Eu sabia que ele queria pôr o tornozelo no sítio e recusei o oxigénio porque com aquela adrenalina toda eu estava zangado, muito zangado. Estava a sentir tudo. Queria certificar-me que ele estava a fazer tudo bem e na realidade ele foi incrível. Colocou o tornozelo no sítio. Colocou-o no sítio duas vezes, com uma rotação. E sim, doeu muito!"

"O meu irmão [Nuno] foi comigo para o hospital. Ele tinha trazido a minha sobrinha ao estádio pela primeira vez e aquilo aconteceu mesmo em frente ao sítio onde eles estavam. O meu irmão quis descer da bancada para o campo mas os seguranças não deixaram. Foi muito complicado para todos..."

Depois, foi trabalhar na recuperação, que também não foi fácil. "Acordava às 7, começava a trabalhar às 8 durante umas três horas, e depois ainda tinha mais três horas de ginásio. Fazia ainda duas horas na piscina, depois descansava. Podia fazer ainda mais uma hora de bicicleta. Ao final do dia jantava, dormia e no dia seguinte repetia tudo. Fiz isto durante dois meses e valeu a pena."

Chegou a dizer-se que André Gomes provavelmente não voltaria a jogar esta época. Só que o português nunca perdeu a determinação e sentiu-se inspirado pelo apoio de muita gente, incluindo Cristiano Ronaldo e Lionel Messi.

"Eles foram incríveis. Recebi muitas mensagens por parte de antigos colegas de equipa, toda a gente foi fantástica comigo. Pessoas como o Alan Shearer... Ele disse-me 'sabes, tive uma lesão parecida, no mesmo estádio'. Sofri um trauma. Falei com muitas pessoas que viveram situações parecidas, o Danny Welbeck mandou-me uma mensagem, falei também com o Djibril Cisse. Ele disse-me: 'Quando estiveres pronto tens de competir. Se não voltares logo as pessoas dizer que estás diferente, que talvez estejas com medo, que estás a proteger o pé'."

André Gomes quer seguir esses conselhos, jogar sem medo, mas não vai ser fácil esquecer aquilo por que passou. "Por vezes tenho maus momentos. Fisicamente estou em forma mas por vezes o meu pé diz-me 'sabes que mais? Estamos despachados por hoje, relaxa e dá apenas uma voltinha pelo campo'. Houve situações muito complicados em que o meu pé bloqueou e parecia uma pedra. Mas pensava 'tenho de aceitar o que me aconteceu, olhar em frente e recuperar o mais depressa possível'. E foi isso que fiz."

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