Antes do Arsenal, Aubameyang já tinha jogado em Inglaterra e com um português a ver

Paulo Duarte, ex-selecionador do Gabão, recorda história curiosa

Aubameyang em ação no relvado do modesto Heaton Stannington

Os clubes ingleses nunca revelam os valores das transferências, mas a imprensa aponta a contratação de Pierre-Emerick Aubameyang como sendo a mais cara da história do Arsenal: 65 milhões de euros. Afinal, o que levou os londrinos a pagar tanto por este avançado? Para conseguir responder a esta pergunta, Record falou com Paulo Duarte. O treinador português, atual selecionador do Burquina Faso, trabalhou com Aubameyang na selecção do Gabão e ainda numa altura em que o jogador não era tão famoso nem movimentava tantos milhões.

"As características dele encaixam no futebol inglês, um futebol de profundidade. A velocidade do Aubameyang permite-lhe explorar as costas da defesa, já que, para mim, é um dos 3 jogadores mais rápidos do Mundo. Se há um campeonato para ele é o inglês, sem dúvida", analisou Paulo Duarte. Aubameyang, de 28 anos, é sinónimo de velocidade, mas não só. O técnico português, de 48 anos, acrescenta outra capacidade. "Ele tem uma grande facilidade para encontrar espaço para rematar. Tecnicamente não é muito evoluído, é um jogador de 30/40 metros. Dentro da grande área procura simplificar os gestos e, naquela na barreira entre defesa e guarda-redes, tenta finalizar o mais depressa possível", explicou.

Os adeptos do Arsenal esperam golos e a verdade é que Aubameyang já sabe o que é marcar em Inglaterra. É uma história curiosa e Paulo Duarte acompanhou-a de perto. Em 2012, o avançado fazia parte da seleção do Gabão que participava nos Jogos Olímpicos. Antes do arranque da competição, Aubameyang e companhia estagiaram em Newcastle e precisavam de um adversário para um jogo particular, mas nem os sub-21 estavam disponíveis. Após vários contactos, a solução encontrada foi o Heaton Stannington, uma equipa... amadora.

"Como selecionador nacional e diretor técnico do Gabão acompanhei a seleção nos Jogos Olímpicos. Sei que houve um erro com a minha credencial, que não me dava acesso à Aldeia Olímpica. E também me lembro de ter estado antes em Newcastle e de ter assistido a esse jogo no campo dessa equipa", atirou Paulo Duarte. O Gabão ganhou 4-0 e Aubameyang marcou dois golos. Isto depois de uma viagem apressada de última hora ao hotel para ir buscar as chuteiras de que se tinha esquecido... A participação de Gabão no torneio de futebol dos Jogos Olímpicos terminou na fase de grupos, com dois empates e uma derrota, três golos sofridos e apenas um marcado – da autoria de... Aubameyang.

Este não é o único episódio que Paulo Duarte recorda do agora avançado do Arsenal. Por volta da mesma altura, o português teve uma conversa com o jogador. "Quando comecei a trabalhar com o Aubameyang, ele ainda não se tinha imposto na Europa e jogava no St. Étienne. Disse-lhe o quão importante era trabalhar a imagem e pensar seriamente em ser o melhor jogador de África porque o Drogba, Kolo Touré e Eto’o, entre outros, estavam em queda. Aliás, numa entrevista a um canal de televisão dei a garantia de que ele seria eleito o melhor jogador africano dentro de dois ou três anos. Curiosamente, acabou por conquistar o prémio em 2015", revelou o treinador.

Mas há mais: "Nessa conversa, o Aubameyang disse-me que tinha o sonho de jogar em Espanha e no Real Madrid. Certo é que acabou por brilhar no St. Étienne e mudar-se para o Borussia Dortmund, embora tenha havido o interesse de clubes ingleses e espanhóis. Mas acredito que jogar em inglaterra também era um objetivo para o Aubameyang".

Por David Novo
Deixe o seu comentário

Últimas Notícias

Notícias
SUBSCREVA A NEWSLETTER RECORD GERAL
e receba as notícias em primeira mão

Ultimas de Inglaterra

Notícias

Notícias Mais Vistas

Copyright © 2019. Todos os direitos reservados. É expressamente proibida a reprodução na totalidade ou em parte, em qualquer tipo de suporte, sem prévia permissão por escrito da Cofina Media S.A. Consulte a Política de Privacidade Cofina.