Avram Grant diz que Mourinho não é um génio mas também não é um... inútil
Grant: "Com todo o respeito que o José me merece, nunca gostei da forma como a comunicação social o descreveu como rei do Mundo e génio"
O Chelsea despediu José Mourinho pela primeira vez a 20 de setembro de 2007, três meses depois de Avram Grant ter sido nomeado diretor de futebol em Stamford Bridge, pelo amigo Roman Abramovich, proprietário do clube londrino. O israelita acabaria por suceder ao português no comando técnico da equipa e começou passar sinais de que não gostava de atitude e métodos dos antecessor, que está agora no Manchester United, depois d epassar por Inter Milão, Real Madrid e, denovo, pelo Chelsea, com assinalável sucesso.
O jornal 'The Guardian' entrevistou o agora selecionador do Gana - porque este 'levou' a seleção daquele país à disputa dos quartos-de-final da CAN'2017, onde o adversário é República Democrática do Congo - e Grant aproveitou para fazer mais umas críticas a Mourinho, primeiro por via indireta, ao elogiar Antonio Conte, verdadeiro sucessor do português no Chelsea, após este ter sido despedido a 17 dezembro de 2015 - Guus Hiddink terminou a temporada 2015/16, sabendo que não iria ficar.
"O Conte entrou no Chelsea na altura certa e tem vindo a provar o treinador excecional que é. Os jogadores ansiavam por uma mudança", começou por dizer o treinador da seleção ganesa, abrindo caminho à tirada da entrevista:
"Com todo o respeito que o José me merece, nunca gostei da forma como a comunicação social o descreveu como rei do Mundo e também como génio - algo que não é. Mas também não é o inútil de que têm vindo a escrever agora. Mourinho é um bom treinador, com defeitos como qualquer outra pessoa."
Grant falou ainda dos primeiros tempos à frente da equipa do Chelsea em 2007/08, deixando mais um reparo a Mourinho e à herança que o português lhe deixou: "Por que é que trouxe o Henk ten Cate [treinador holandês, que foi seu adjunto] para o Chelsea? Ele tinha estado no Barcelona e no Ajax e eu disse-lhe: 'tratas dos treinos; o método é que não se jogava mais a bola diretamente para o [Didier] Drogba; isso acabou, quer queiras, quer não queiras'."
Recorde-se que Grant não teve a vida fácil no Chelsea, pois os adeptos nunca deixaram de cantar o nome de Mourinho nas bancadas de Stamford Bridge. Em termos desportivos, o israelita levou a equipa à final da Liga dos Campeões - que perderia para o Manchester United nos penáltis -, terminando no 2.º lugar na Premier League, depois de eliminações sucessivas na Taça da Liga e na Taça de Inglaterra. Acabou despedido por Abramovich a 24 de maio de 2008.