Carlos Carvalhal apaixonou-se pelo futebol rodeado de música clássica, artes e ballet

Técnico concedeu entrevista ao 'The Guardian'

• Foto: Reuters

Carlos Carvalhal não conseguiu salvar o Swansea da despromoção na Premier League, mas a sua passagem por Inglaterra ficou marcada por conferências de imprensa bem animadas, com expressoões que fizeram as delícias dos jornalistas britânicos. "All the meat on the barbecue" ["carne toda no assador"] e o F1 no trânsito de Londres foram algumas das frases épicas do técnico português. 

O 'The Guardian' não se esqueceu de Carvalhal e numa entrevista intimista falou sobre música, artes e ainda sobre o erro de Descartes para descrever o futebol atual.

"O problema hoje em dia é que estamos a fazer tudo para isolar os jogadores. Com os PT [personal trainers], os dados, os GPS, fazemos tudo para os tornar máquinas individuais. É uma abordagem científica, do Descartes, que dizia que se estudarmos as coisas particulares de um fenómeno, conhecemo-lo melhor. Mas a complexidade prova que isso está totalmente errado. Ao isolar o indivíduo não compreendemos o conjunto. O futebol é um jogo coletivo. Um jogo coletivo é formado por ligações. Não há nenhuma máquina que consiga avaliar isso", comentou o técnico.

Carlos Carvalhal passou três anos em inglaterra. Foram dois anos e meio ao serviço do Sheffield Wednesday e meia época onde não conseguiu a árdua tarefa de salvar o Swansea da despromoção. O técnico vive agora em Londres, depois de uma temporada em Portugal onde ajudou o pai doente. O antigo técnico do Sporting está atualmente sem clube, mas isso não lhe tira o sono.

"Quando não estamos a trabalhar, é uma boa oportunidade para as pessoas te conhecerem um bocadinho melhor. Quando estou a trabalhar, devo dizer que se alguém quiser falar comigo digo que não 99,9% das vezes", realçou.

A entrevista do treinador de 52 anos que em Portugal já passou pelo Freamunde, Vizela, Aves, Leixões, V. Setúbal, Belenenses, Sp. Braga, Beira-Mar, Marítimo e Sporting teve muita música à mistura e com revelações curiosas.

"Vi os U2 em Vilar de Mouros em 1982 e também vi os The Cure lá. Os Lloyd Cole and the Commotions também deram um concerto muito bom. Mas há mais. Lembro-me dos Simple Minds, dos Echo and the Bunnymen, Nina Hagen, Elvis Costello e Duran Duran. E o melhor concerto que alguma vez vi foram os Rolling Stones, no estádio do Sporting", revelou.

Natural de Braga, Carlos Carvalhal conta ainda que a sua paixão pelo futebol foi despertada num ambiente de ballet, artes e música. Quando tinha apenas cinco anos, o minhoto ganhou uma bolsa de estudos no conservatório da Gulbenkian.

"Comecei com cinco anos, quando a idade normal são os seis. Andava cinco quilómetros todos os dias para lá chegar. Não era muito musical, mas perguntava aos meus amigos durante as aulas e eles explicavam-me. Estava rodeado por música clássica, arte, ballet e todas essas coisas. Mas também havia um campo de futebol e foi no conservatório que decidi que ia ser jogador de futebol", contou o treinador.

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