CEO do Manchester United sobre a saída de Ruben Amorim: «Acho que se encurralou a si mesmo»

Omar Berrada diz que a rigidez nas ideias acabou por penalizar o técnico português

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Ruben Amorim deixou o Manchester United em janeiro deste ano
Ruben Amorim deixou o Manchester United em janeiro deste ano • Foto: AP
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Meio ano passou desde que o Manchester United tomou a decisão de rescindir contrato com Ruben Amorim e, passado este tempo, já é possível para o CEO dos red devils analisar o que correu mal para que a passagem do treinador português tenha chegado ao fim somente 14 meses depois de ter começado. Sem nunca colocar em causa a decisão de resgatá-lo ao Sporting, Omar Berrada explicou no FT Weekend Festival, em Nova Iorque, que a falta de flexibilidade nas ideias acabou por penalizar bastante o português, levando ao desenlace que se conhece.

"Acho que talvez onde ele bloqueou foi na dimensão do clube, o escrutínio das ideias e decisões é tão constante que talvez ele tenha tido dificuldades em gerir isso… Não que o clube fosse demasiado grande para ele, mas talvez se tenha encurralado numa posição em que quis agarrar-se de forma muito rígida às suas ideias porque queria demonstrar a toda a gente que ia funcionar. E, no contexto da volatilidade de emoções que se vive ao fazer parte do Manchester United, quando perdes dois ou três jogos seguidos, parece o fim do mundo. Por isso, acho que isso foi muito difícil de gerir", comentou o dirigente, que ainda assim faz uma ressalva.

"É preciso lembrar que chegou a meio da época. Não teve uma pré-temporada. Não teve tempo para implementar as suas ideias. Depois, quando chegou à segunda época, já teve tempo para implementar as suas ideias durante o verão e, na verdade, vimos um arranque muito bom, jogámos muito bem em vários jogos, mas o peso da época anterior ainda lá estava. Talvez não tenha sido capaz de seguir em frente no momento certo, por isso sentimos que tínhamos de fazer uma mudança. E o Michael Carrick entrou em janeiro e a equipa deu a volta à situação".

Apesar disso, Berrada olha para trás e deixa claro que não se arrepende de ter contratado ao português ao Sporting. "Acho que a lógica para o escolher foi sólida. Era um treinador que tinha tido muito sucesso em Portugal, no Sporting. Era jovem, dinâmico. Tinha uma forma de explicar os seus conhecimentos e ideias táticas que era muito clara. Sentimos que era capaz de se relacionar e comunicar bem com os jogadores e com o balneário. No seguimento de tantas mudanças de treinador nos últimos 10 anos, queríamos mesmo dar-lhe tempo para desenvolver as suas ideias e conceitos, e dar-lhe liberdade no relvado de treino para conseguir implementar as suas ideias", frisou.

Até ao dia em que, em janeiro, acabou por ter de tomar a decisão de avançar para a demissão e colocar Carrick no cargo. A diferença nos resultados foi evidente e Berrada assume que houve aspetos a ajudar nessa mudança. "O que trouxe foi uma compreensão da herança e do ADN do clube. Percebe os elementos de que estamos a falar — acertar na comunicação com os media, transmitir ideias, ligar-se à nossa formação, trabalhar com a restante estrutura do futebol. E, mais importante ainda, também trouxe uma sensação de calma. É alguém que, como jogador, ganhou tudo com o clube, por isso, para ele, ir ao Emirates e ganhar lá não é nada de especial, porque já o fez enquanto jogador. Acho que ser capaz de transmitir isso a um grupo de jogadores que vinha a lidar com a pressão de que falámos, e o simples facto de normalizar ir ao Emirates, ao Etihad, a Anfield e exibirem-se ao seu melhor nível, tornou-se, creio eu, no seu contributo número um. Permitiu que os jogadores acreditassem em si próprios e tivessem liberdade em campo para se expressarem".

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