Da ‘nega’ a Ferguson aos 50 mil euros nas cuecas: vida de Jamie Cureton deu um livro

Avançado de 51 anos ainda joga e marcou golos nos 10 escalões do futebol inglês

Seguir Autor:

Um craque bem diferenciado
Um craque bem diferenciado • Foto: Instagram
Adicione como fonte preferencial no Google

Chama-se Jamie Cureton, tem 51 anos e lançou um livro onde detalha a longa carreira e a forma como conseguiu marcar golos nos 10 escalões da pirâmide do futebol inglês. Uma verdadeira façanha e que conta com diversos episódios relevantes, desde o arranque de carreira ao serviço do Norwich City até ao momento em que… recusou mudar-se para o Manchester United de Sir Alex Ferguson.

“Já vi de tudo ao longo destes anos. Tudo mesmo”, inicia, em declarações à revista britânica ‘FourFourTwo’, depois de mais um treino ao serviço do Holland FC, da Eastern Counties League Division One North, na 33ª temporada da carreira.

Antes de se mudar para o clube que agora defende, brilhava como treinador-jogador no Kings Park Rangers, e como tinha pouco que fazer, decidiu contar ao mundo tudo aquilo que já viveu no seio do desporto-rei. O livro chama-se ‘Last of Goalhangers’, que em Português será qualquer coisa como ‘O Último dos Ratos de Área’ [Goalhangers é aquele jogador que está sempre junto à baliza adversária, sem se esforçar muito, à espera que a bola lhe chegue].

Cureton em destaque
Cureton em destaque

“Quero deixar bem claro que isto não é uma autobiografia. Tenho ideia que as pessoas não fazem a mínima ideia de quem sou. O que os levaria a terem vontade de ler isto? Preferi fazer uma compilação de coisas loucas que tive oportunidade de experienciar no futebol em mais de três décadas no ativo”, revelou.

Questionado sobre quais as histórias loucas que os leitores vão poder ler, o avançado é sincero e não deixa nada por dizer. Da possibilidade de rumar ao Manchester United e juntar-se à ‘Classe de 92’ até às anfetaminas que consumiu em raves da década de 90, sem esquecer os 50 mil euros que conseguiu trazer escondidos nas cuecas quando fugiu da Coreia do Sul.

“Ler sobre tudo isto vai ser uma viagem interessante. Não se trata de um livro sobre fazer milhões e representar as cores de Inglaterra na seleção. Passei por momentos bem complicados, descidas ao inferno e muitos arrependimentos ao longo da vida”, destacou.

Com mais de 400 golos como sénior, Cureton descreve-se como ‘uma raposa à solta na área’: “Sou aquele tipo de jogador que está a morrer no futebol mundial. Gosto de andar na área como se fosse um predador em busca de presa. Sempre na esquiva…”

Três golos num jogo? Temos!
Três golos num jogo? Temos!

O primeiro dos muitos golos que anotou aconteceu com a camisola do Norwich, na temporada 1994/95, arrancando assim para uma carreira com passagens (e golos) por Bournemouth, Bristol Rovers, Reading, Busan Icons, QPR, Swindon Town, Colchester, Barnsley, Shrewsbury Town, Exeter City, Leyton Orient, Cheltenham Town, Dagenham & Redbridge, Farnborough, Eastleigh, St. Albans, Bishop’s Stortford, Enfield 1893 FC, Maldon & Tiptree e Kings Park Rangers FC.

Tem o objetivo de atingir os 1.100 jogos até ao Natal deste ano e admite que apesar de ter passado pela Premier League e Championship, foi muito mais feliz no futebol não profissional. “É o futebol na sua forma mais pura. Adoro estar perto dos adeptos, da comunidade e sentir-me parte de algo. Ainda por cima o nível aumentou muito, porque agora nestes clubes de divisões inferiores vemos jogadores das academias dos grandes e até futebolistas dispensados de escalões superiores que chegam para dar dois passos atrás e depois um grande passo em frente”, resumiu.

Também já foi treinador-jogador
Também já foi treinador-jogador

Só falta fazer a pergunta mais óbvia de todas – como é que Cureton consegue ainda estar em grande destaque com 51 anos? Resposta na ponta da língua…

“Acreditem que tenho mesmo muitos cuidados comigo. Aliás, se sentisse que não podia dar algo à equipa, nem sequer me aborrecia em vir para aqui. Ficariam surpreendidos ao entender como a experiência pode ser tão efetiva nestes escalões competitivos. Quem já anda há muito tempo nisto consegue fintar a idade”, assume sem reservas.

A terminar, a revelação do grande motivo da criação deste compêndio de histórias bizarras: “Acho que as pessoas vão gostar e, acima de tudo, pretendo que esta seja uma boa oportunidade para deixar tudo em pratos limpos com várias pessoas que ficaram com uma ideia errada sobre mim. Alguns clubes e grupos de adeptos talvez não tenham entendido algumas das decisões que tomei. Assim tudo isso fica dissipado.”

Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Premium ver exemplo
Ultimas de Inglaterra Notícias
Notícias Mais Vistas