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Fugiu da droga, jogou futsal, trabalhou na roça e é goleador na Premier League

Richarlison jogava há três épocas nos escalões secundários do Brasil e hoje impressiona no Everton

• Foto: Reuters
Se a vida dá muitas voltas, a de Richarlison tem sido vivida às piruetas. Em apenas três anos o jogador brasileiro passou de ilustre desconhecido, que jogava nos escalões secundários do seu país, a goleador da Premier League. Hoje joga no Everton, soma 3 golos, em duas jornadas, e até foi convocado por Tite para representar a seleção canarinha...

Teria sido fácil para o avançado enveredar pelo caminho das drogas e da delinquência, mas a paixão pelo futebol, a par de um treinador, que considera ser quase seu pai, evitou que se desviasse do trilho dos relvados e da bola.

O primeiros toques do agora craque brasileiro foram dados no Nova Venécia-ES, a sua cidade natal, onde conheceu Fidel Carvalho, líder de um projeto social para crianças. "Ficou comigo dos 10 aos 14 anos, na época eu só tinha futsal e incentivava-o a seguir o seu sonho, mantinha-o por perto para que não se desviasse do seu caminho, mostrando-lhe que o crime nunca compensa", conta o antigo treinador de futsal do agora avançado do Everton, ao site UOL.

Filho de pais separados, Richarlison teve amigos que foram presos por tráfico de droga e teria sido fácil para ele entrar nesses meandros. "A cidade é pequena e não há muitas perspetivas para os jovens. Alguns vêem o tráfico como a saída possível para uma vida melhor...", lamenta Fidel Carvalho.

Em casa de Richarlison o dinheiro não abundava e o pequeno fazia o que podia para ajudar. Vendia trufas caseiras, trabalhava como ajudante na roça, ajudava o tio num bar e até foi pedreiro. "O treinador que me ajudava conseguiu-lhe uma vaga de ajudante de pedreiro, ele foi, mas no dia seguinte disse que aquilo era demasiado pesado; o que ele queria era ser jogador de futebol."

Mas no futebol nem tudo foram rosas e há quatro anos Richarlison pensou desistir. Não conseguia lançar a sua carreira, situação que piorou quando foi dispensado pelo Figueira. Quando regressou a casa, a Nova Venécia, falou com um dos seus primeiros treinadores, Régis Masarin, e disse-lhe que o seu percurso como futebolista tinha chegado ao fim.

"Estava muito desanimado e disse-me que queria parar. Conservámos durante algum tempo e insisti para que continuasse, que eu ia tentar fazer com que fosse para outra equipa. Ele continuava muito em baixo, mas depois conseguimos um teste no América-MG, onde acabou por se tornar profissional", contou o treinador.

Depois acabou por ser vendido ao Fluminense para em julho de 2017 acabar em Inglaterra, no Watford. Entrou a todo o gás na Premier League, com 5 golos em 12 jogos, mas depois o seu rendimento caiu, talvez porque vinha do Brasil e entrou na época europeia sem descansar... 

Esta temporada chegou ao Everton e não demorou muito a mostrar a veia de goleador. É um dos líderes na lista dos melhores marcadores em Inglaterra e até foi chamado por Tite para a canarinha...

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