Marco Silva: «Eles não fizeram o trabalho de casa sobre mim»

Técnico do Hull garante que as críticas iniciais não são uma motivação extra mas lembra...

• Foto: Reuters

Com a Premier League a entrar na fase de decisões - este fim de semana disputa-se a 33.ª jornada, ficando a faltar mais cinco para o final -, o Hull City e Marco Silva têm pela frente dois meses de luta intensa pela permanência entre a elite. Mas tudo o que o técnico português já conseguiu torna-o já numa das figuras da época, depois de ter chegado a Inglaterra como um desconhecido e debaixo de muitas críticas, particularmente de ex-jogadores como Paul Merson ou Phil Thompson.

"As pessoas já me questionaram sobre isso e o facto é: eles não fizeram o trabalho de casa sobre a minha carreira, pois não? Mas, honestamente, isso não é importante nem faz qualquer diferença no meu trabalho. Não me dá qual quer motivação extra [provar que eles estão errados]. Se precisasse dessa motivação para trabalhar não seria um bom sinal. Isso não tem qualquer efeito na minha carreira, no meu trabalho. Nada", garantiu Marco Silva em entrevista ao jornal 'The Telegraph'.

O Hull City visita este sábado o Stoke City e vai procurar manter-se fora dos lugares de descida - para já ocupa o 17.º lugar, com mais dois pontos do que o Swansea -, uma situação bem diferente daquela que Marco Silva encontrou quando foi contratado, nos primeiros dias de janeiro. Então, o clube era último e o próprio treinador português admitiu que precisava de um 'milagre' para o salvar da despromoção. 

"Li isso em alguns jornais. Mas essa palavra, para mim, é um exemplo: quão dura é a nossa tarefa? Muita, muita gente não acreditava que era possível", referiu, agora, o antigo técnico de Estoril, Sporting e Olympiacos, revelando como foram os primeiros tempos em Inglaterra: "A primeira coisa a fazer foi passar a mensagem: tudo é difícil, mas também possível. É evidente. Nós éramos a equipa que estava no último lugar da classificação. Mas é possível e eu acredito, porque se não acreditasse não estaria aqui. Eu não sou louco." 

"A outra coisa que disse então foi: 'Quero que as vossas mentes estejam abertas porque vamos mudar muitas coisas'. E fizemo-lo - na alimentação, no treino - e a última coisa que pedi foi atitude todos os dias. E paixão. Porque eu tinha um caminho: trazer o verdadeiro jogo para casa sessão de treino. Em todas as suas dimensões: técnica, tática, física, psicológica. Isto é o que eu quero e ao mesmo nível de cada encontro", prosseguiu.

A entrevista foi realizada por Jason Burt no gabinete de Marco Silva no centro de treinos do Hull e o jornalista britânico faz mesmo questão de salientar que os adjuntos João Pedro Sousa, Gonçalo Pedro e Hugo Oliveira estão na sala ao lado a trabalhar. Trabalho que o técnico português destaca como normal e o mais importante na dura tarefa com vista a alcançar a permanência.

"Eu estudei rapidamente e consegui identificar os problemas que a equipa tinha. Mas nada está concluído. Quero continuar focado. Até ao momento, fizemos coisas muito boas. Mudámos muitas coisas e toda a Premier League acredita agora que estamos aí para lutar. Isso é uma grande mudança. Talvez há três meses ninguém acreditasse. Dentro deste clube começámos a acredita e se as pessoas conhecem agora melhor o meu trabalho isso é normal. Penso que é uma situação normal", frisou.

Com cinco vitórias em 12 jornadas, o Hull City alimentou o sonho da permanência, mas a transformação na equipa está não só nos resultados. "Comecei a compreender melhor após o primeiro jogo que fizemos em casa, frente ao Swansea. Senti que a situação, a ligação e a atmosfera não eram boas. Tínhamos de mudar isso. Assim, pensei que se mostrássemos aos adeptos que iríamos lutar. Até poderíamos não ficar na Premier League, mas precisávamos de ter uma ligação com eles outra vez", lembrou Marco Silva.

"Os resultados são uma coisa, mas a forma como os alcançamos é importante para mim. Em três dos jogos em casa estivemos a perder - frente a Bournemouth, West Ham e Middlesbrough – e ganhámos. Isso significa muito. E também nos ajudou a voltarmos a ligar-nos com os adeptos. A atmosfera é agora realmente muito diferente", acrescentou o técnico, sublinhando: "Eu tinha uma ideia: se jogares melhor, tens mais hipóteses de vencer. Por isso, as minhas equipa são dominadores e quero que sejam assim."

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