Mourinho: «Nunca teria vendido Di María, Chicharito ou Welbeck»
Técnico português diz ter encontrado um "clube triste" quando chegou a Manchester
No mesmo dia em que conduziu o Manchester United ao apuramento para os quartos-de-final da Liga Europa, com o triunfo (1-0) sobre o Rostov, José Mourinho surge também em destaque numa entrevista à BBC em que faz o balanço desta época de estreia nos red devils. E o técnico português não deixou de salientar o que herdou quando chegou a Old Trafford.
"Encontrei um clube triste. O Manchester United vendeu jogadores que eu nunca teria vendido e comprou jogadores que eu nunca teria comprado. Eu nunca teria vendido Di María, Chicharito, Danny Welbeck. Nunca. Não havia hipóteses", frisou Mourinho ao programa 'The Premier League Show', da BBC2, acrescentando que não consegue entender o que foi feito pelos red devils a nível de transferências.
O técnico admitiu que no Real Madrid ou no Inter "foi mais fácil atingir os objetivos" do que no United e alertou para o facto de que "existe uma diferença entre a ambição geral de um clube gigante com este e o que ele é na realidade". Ainda assim, não tem dúvidas: "Estou a gostar de cada momento. É duro, é difícil, mas já sabia isso antes. O Manchester United tem um nome e um prestígio, além de algo mágico que atrai toda a gente."
"A relação entre o nosso verdadeiro potencial e as expectativas que geramos, há uma diferença. Não estamos prontos para ser o Manchester United. Não estamos prontos para sermos uma força dominante. Não estamos prontos para tentar e ganhar tudo. Devido à natureza do clube, ou à minha, estamos prontos para lutar em todos os jogos, por todos os pontos, e disso não restam quaisquer dúvidas", acrescentou.
Mourinho reiterou a vontade de cumprir o atual contrato com os red devils até ao fim - o vínculo vai até junho de 2019 mas existe uma opção para um ano suplementar -, mas lembrou aos adeptos que os anos de domínio dos tempos de Alex Ferguson não voltarão a Old Trafford.
"Esqueçam, já não é possível. Tenho muitas dúvidas que um domínio desse tipo volte a existir na Premier League. Por isso, queremos conquistar títulos, tentar regressar à Liga dos Campeões, ganhar na Europa, mas a base tem de ser a empatia com os adeptos. E isso é baseado na qualidade do nosso futebol", salientou ainda o português.
E apesar de garantir que a qualificação para a Champions é a prioridade, Mourinho lembrou que o clube não precisa disso para atrair grandes jogadores. "O United é muito poderoso. Se alguém decidir não vir para aqui por isso, fico muito satisfeito por ele não vir", adiantou, antes de sublinhar: "Não quero [estar na Liga Europa na próxima época] mas prefiro estar lá que não me qualificar para a Europa. Se não jogarmos na Liga dos Campeões, jogaremos na Liga Europa e temos de tentar ganhá-la."