André Gomes: «Jesus fazia-nos sair com as orelhas vermelhas de muitos jogos e treinos»

Médio do Everton passou em revista a carreira à Eleven Sports e destacou papel do atual técnico do Flamengo

• Foto: Reuters

André Gomes passou em revista alguns dos melhores momentos da carreira, em entrevista à Eleven Sports. O médio do Everton, de 26 anos, já está totalmente recuperado da grave lesão em novembro de 2019, num lance com Son, do Tottenham, e atravessava um bom momento quando a pandemia da Covid-19 interrompeu a Premier League. Puxando o filme atrás, o internacional português lembrou o período muito complicado que atravessou. 

"Foi difícil ao início, sobretudo pelas dúvidas que tinha em relação à lesão. Mas, pouco a pouco, fui dando pequenos passos e melhorando. Estar de fora e ver a equipa a jogar deu-me muita motivação para voltar ainda mais forte. Tive sempre o apoio das pessoas que estão perto de mim e de profissionais para regressar da melhor maneira", referiu o médio, que soma esta temporada 12 jogos pelo Everton, ainda sensibilizado pelo apoio logo após a lesão. 

"Estive três ou quatro dias com o telefone desligado para ter tempo para processar o que estava a acontecer. Mas quando voltei a ligar o telefone, o que aconteceu foi espetacular. Recebi mensagens de adeptos, colegas de equipa, ex-colegas, treinadores, diretores, adversários... A família do futebol ajudou-me imenso e isso foi importante para voltar o mais rapidamente possível", assegurou.

A carreira de André Gomes ganhou expressão na Luz, pelo Benfica, onde foi treinado por Jorge Jesus e as 41 partidas realizadas pela equipa principal dos encarnados rapidamente o tornaram um alvo dos gigantes europeus. Para o médio, o atual técnico do Flamengo é um marco no seu percurso desportivo. "Jorge Jesus é um treinador com uma personalidade muito forte e vincada, mas que tenta tirar o máximo de cada jogador e consegue-o. Claro que as nossas orelhas saíam vermelhas de muitos jogos e treinos, mas duvido que haja algum jogador que não tenha gostado dele, porque ele ensina-te muito, desde que tenhas predisposição para aprender. Estou-lhe muito agradecido, bem como a toda a gente no Benfica", explicou, lembrando a sua estreia pelas águias. 

"Estreei-me para a Taça e marquei. No meu primeiro jogo para a Liga também marquei e, depois, no meu primeiro encontro no Estádio da Luz fui expulso", lembrou o médio, que falou sobre a "alegria enorme" de ser campeão pelo Benfica em 2013/14, não escondendo a "mágoa muito grande" pelas finais a Liga Europa perdidas em 2013 contra o Chelsea e em 2014 ante o Sevilha.

A fama que a Academia do Seixal foi construindo nas últimas épocas passa sobretudo pelos jovens de qualidade formados pelo Benfica, do qual André Gomes é um dos primeiros representantes. "As condições no Seixal são as melhores e os jovens têm tudo à sua disposição. A aposta que o Benfica fez nos últimos 10 ou 15 anos na formação foi muito séria e bem pensada, o clube montou bem os alicerces e só poderia dar frutos. Desde a minha geração, com Bernardo Silva, Cancelo, Ivan Cavaleiro, entre outros, todas as gerações foram dando continuidade. Hoje em dia, os miúdos saem preparados para qualquer adversidade", disse André Gomes, destacando duas promessas dos encarnados: Florentino "é um grande jogador, um miúdo com muito para crescer, que se não tivesse qualidade não teria as oportunidades que já teve para jogar no Benfica" e o Gedson é um "miúdo de muita qualidade que não está no Tottenham por acaso".

O campeonato espanhol 'chamou' André Gomes, primeiro para o Valencia, a seguir para o Barcelona, no qual estreou-se... descalço no primeiro treino, sem chuteiras, e foi Busquets que lhe emprestou umas. "Estar no Barça foi o pico da minha carreira. Jogar com todos aqueles jogadores deu-me aprendizagens que levo comigo para o futuro. Vá para onde vá, levo a base Barcelona comigo", recordou, lembrando os grandes nomes com o qual partilhou o balneário, entre os quais Messi. André Gomes é um dos 12 jogadores que teve ocasião de jogar com o astro argentino e Cristiano Ronaldo. "Temos de desfrutar dos dois. Aprendi muito com ambos, que têm um talento brutal, mas, acima de tudo, possuem uma mentalidade incrível. Querem ganhar sempre e ficam chateados e irritados quando não ganham, mesmo que seja a ‘feijões’. Estão sempre preparados para dar o máximo e querem ganhar constantemente", salientou o jogador do Everton.

A realidade agora, para André Gomes, dá pelo nome de Everton e o médio internacional português não esconde que é essencial terminar a prova. "Todos sentimos falta do futebol, entendo que jogar sem adeptos não é o ideal, mas que todos sentimos falta do jogo e até para as pessoas é importante voltar a haver futebol. É importante acabar a época e depois, com tempo, os responsáveis decidirem como será a próxima", finalizou.

Por Francisco Laranjeira
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