«Costumava ir às redes sociais para ver se as pessoas se tinham apercebido que eu era uma merda»

Joe Bryan, defesa do Fulham, conta como aprendeu a viver com a pressão, medo do fracasso e ansiedade

• Foto: Reuters

A pressão em atletas de alta competição é um dos assuntos na ordem do dia e Joe Bryan, defesa do Fulham, relata como aprendeu a viver com a ansiedade e com o medo do fracasso. Em entrevista à ESPN, o lateral inglês garantiu que espera "conseguir ajudar alguém na mesma situação", partilhando alguns dos momentos mais difíceis que viveu.

"Tudo começou num jogo frente ao West Ham em 2019. Era como estar em transe, como se estivesse uma névoa por cima da minha cabeça", explicou, antes de confessar que a partir desse dia se começou a "sentir mal" frequentemente e a sentir-se "uma merda" ao acordar. "Pergunto-me se tenho o direito de jogar onde estou, se sou bom o suficiente para estar cá. Questiono-me...".

Bryan conta que se apercebeu da gravidade da situação quando começou a entrar em pânico em situações 'normais'. "Uma vez fui ao cabeleireiro. Era como ir ao supermercado e ter a certeza de que toda a gente estava a olhar para mim porque tinha papel higiénico colado nos sapatos, quando nada disso estava a acontecer".

O jogador de 27 anos referiu ainda o impacto negativo das redes sociais em situações desta natureza, frisando que os seus colegas no balneário foram uma grande ajuda para superar o que sentia. "Costumava ir às redes sociais quando sabia que não jogava bem, para ver se as pessoas se tinham apercebido que eu era uma merda. Agora, partilho com os meus colegas o que sinto. Digo-lhes: 'hoje sinto-me um lixo', e isso deixa-me mais tranquilo. Já tive treinos em que me questionei se estava a ser julgado por não trabalhar de forma suficientemente dura".

Bryan termina o testemunho dizendo como ultrapassou esta má fase e dando conselhos importantes a quem passa pelo mesmo. "É preciso ficar calmo. Não me incomodo mais e tento fazer o meu trabalho para me desenvolver como pessoa. A pandemia ensinou à sociedade que a saúde mental prevalece. Quanto mais aceitarmos e normalizarmos, melhor. Falem com as pessoas, digam-lhes como se sentem. Se isto chegar a alguém com o mesmo tipo de sentimentos que eu, espero ter ajudado", rematou.

Por Record
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