Escolha o Record como "Fonte Preferida"

Veja as nossas notícias com prioridade, sempre que pesquisar no Google.

Adicionar fonte

Bernardo Silva explica tudo sobre saída do Man. City: «Última oportunidade de ter um desafio e algo diferente»

Médio admite que já tinha tomado esta decisão "há dois anos"

Bernardo Silva, capitão do Manchester City
Bernardo Silva, capitão do Manchester City • Foto: LUSA

Bernardo Silva está de saída do Manchester City após nove anos de ligação e abordou a decisão de sair do clube no programa "Soltinhos pelo Mundo" do Canal 11, assim como a relação com Pep Guardiola e os muitos momentos vividos nos citizens.

"Foi uma decisão que tomei há algum tempo. Não foi só minha, mas também da minha mulher e da minha família. Mas que já tomei há cerca de dois anos. Quando eu assinei o meu último contrato com o Manchester City, no ano em que ganhámos a Champions [em 2023], eu fico com três anos no contrato. E, ao longo dessa época [2023/24], a Inês e eu decidimos que eu ia cumprir este contrato e, no final, íamos seguir um caminho diferente. Quando tomei a minha decisão, eu não ia mudar. Quando cheguei, nunca pensei que iria ficar nove anos. Portanto, é muito tempo no mesmo clube. Acaba por ser uma decisão natural e que já vinha há algum tempo na minha cabeça. Fazia sentido para mim. Com a idade que tenho agora [31 anos], é a minha última oportunidade de ter um desafio na minha vida e uma coisa diferente", começou por dizer.

"A minha família tem saudades minhas. Desde que saí [do Benfica] para o Mónaco que eles puxam para eu vir para mais perto e voltar para casa. Eles também perceberam que nove anos no Manchester City é um período longo e, depois de tudo o que conquistámos aqui, que fazia todo o sentido que eu procurasse uma coisa diferente. Acho que [os meus colegas] foram percebendo. Mas eles também brincavam porque diziam todos os anos que eu ia embora, mas depois nunca ia. Portanto, eles nunca acreditavam bem. O próprio clube também acreditava que me podia convencer a ficar mais um bocadinho. [A direção] tentou que eu ficasse mais um ano, mas acabaram por não insistir porque perceberam qual era a minha posição", acrescentou antes de garantir que nunca foi uma questão salarial.

"As pessoas com quem passo mais tempo como o Rúben [Dias] ou o Matheus [Nunes] sabiam perfeitamente que a minha decisão não ia mudar. Mas, se calhar, há ou um outro jogador que pensou que eu pudesse mudar. Nunca anunciei formalmente. Mas, em conversas, sempre disse que quando acabasse o meu contrato eu ia embora. Vou ser adepto deste clube para sempre. Este clube deu-me a oportunidade de jogar ao mais alto nível, de ganhar tudo o que eu ganhei e vou guardá-lo para sempre no meu coração", prometeu.

[A direção do Man. City] tentou que eu ficasse mais um ano, mas acabaram por não insistir porque perceberam qual era a minha posição
Bernardo Silva

Jogador do Manchester City

O internacional português agradeceu e tentou justificar todo o carinho que recebe dos adeptos: "Saio com a certeza que as pessoas aqui me trataram de uma forma espetacular. Sei o carinho que têm por mim. Eles também sabem o carinho que tenho por eles. Toda esta geração, por tudo o que fizemos, vai ter sempre um lugar importante na história do clube. Aquilo que quero aqui e em todos os clubes por onde passei e irei passar é que as pessoas na bancada sintam que um bocadinho delas está dentro de campo, na forma como luto por cada jogada e como dou o meu melhor. Uns dias vamos ganhar e outros vamos perder, mas a forma como te comportas e a linguagem corporal que passas dentro de campo para fora é eles sentirem-se bem representados", afirmou o campeão europeu de clubes em 2023.

"Ganhar a Liga dos Campeões é sem dúvida o mais especial porque também foi o culminar do Treble [triplete] e a Champions é a Champions, tem um significado diferente. Os festejos foram duros porque a final foi às dez da noite de Istambul (palco da final). Entre acabar o jogo, ir para o balneário e levantar a taça, chegámos ao hotel às duas da manhã. Foi festa a noite toda e não dormimos. A minha avó com 80 e tal anos foi para a cama nesse dia ao meio-dia. Depois, fizemos Istambul-Manchester e nessas quatro horas de viagem combinámos ir para Ibiza, onde estivemos para aí dez horas. Ainda voltámos e fizemos a Parada [com os adeptos]. Foram dois dias e meio quase sem dormir", revelou. O ainda capitão do clube relembrou todas as vezes que a equipa esteve perto da glória europeia.

"A final da Liga dos Campeões que perdemos [em 2021 contra o Chelsea] custou, mas aquela meia-final [de 2022], em que sofremos dois golos contra o Real Madrid nos últimos minutos, custou muito porque fomos muito superiores e foi duro. Por exemplo, quando perdemos nos quartos de final com o Tottenham [em 2019], também foi duro. Depois de tanta frustração, ganhar a competição foi especial. A nível de clubes, fica tudo completo porque já tinha ganho tudo em Inglaterra e várias vezes. Cumpri um sonho e agora só me falta ganhar com Portugal que é o que eu mais quero, obviamente", explicou.

"Havia sempre o estigma que não se podia ganhar em Inglaterra a jogar este tipo de futebol"

O médio de 1,73m transferiu-se do Mónaco para a Premier League em 2017 e garante não ter sentido dificuldades na adaptação ao futebol em Inglaterra.

"Sempre achei que ia ter sucesso, sempre confiei e acreditei. Nunca esperei foi ficar tanto tempo e ganhar 6 Premier Leagues. Nunca pensei que ia ficar nove anos e ser o jogador português com mais jogos na Premier. Acho que o nosso treinador mudou muito a filosofia do futebol inglês. Quando eu cheguei aqui e começámos a ganhar, o futebol era muito direto. Eu olho agora para as equipas, e mesmo as da segunda divisão, já jogam muito em posse e com paciência. Os processos já são muito trabalhados. Mudou muito nestes anos. Havia sempre o estigma que não se podia ganhar em Inglaterra a jogar este tipo de futebol porque Inglaterra é "dura e física". Quando chegámos e começámos a ganhar, as pessoas perceberam que não. Dá para ganhar desta forma em Inglaterra, Portugal, Chinha ou Brasil. Acho que muitas equipas implementaram esse estilo de jogo. Quando o Arteta sai para o Arsenal, o futebol nos primeiros anos é mais de posse. O Maresca que também veio daqui para o Chelsea igual. O nosso treinador e a nossa equipa teve alguma influência nisso", atirou, desenvolvendo ainda como os rivais mudaram.

"Não senti dificuldades ao início. Senti que jogar nesta equipa do Manchester City era muito mais fácil do que no Monaco. Se calhar jogar no Brentford ou no West Ham, para as minhas características ia ser duro. Mas, jogar no Manchester City na Premier League foi muito menos duro do que jogar no Mónaco na Liga Francesa, que eu achava muito mais física. O futebol continua a ser muito físico, mas as equipas já trabalham melhor os processos com bola. Mesmo a nível defensivo, antigamente as equipas fechavam-se todas lá atrás. Hoje em dia, as equipas na pressão alta vai quase tudo homem a homem e pressionam no campo inteiro, como aquilo que vimos no PSG-Bayern (5-4). O Bournemouth, por exemplo, faz muito isso. O Brighton a mesma coisa. É muito raro veres equipas que assumem logo que vão defender lá atrás. Homem a homem a campo inteiro é o jogo mais físico que existe. É um perigo. Basta um jogador perder a marcação e lixa aquilo tudo", explicou.

Senti que jogar nesta equipa do Manchester City era muito mais fácil do que no Monaco
Bernardo Silva

Jogador do Manchester City

Ao longo de nove anos em Inglaterra, o criativo canhoto enfrentou grandes adversários e destacou alguns individualmente. "Ainda apanhei o final do Hazard, era impressionante e muito difícil tirar-lhe a bola. Aquela equipa do Liverpool foram, sem dúvida, os nossos maiores rivais. Juntaria o Salah e o Mané. Na minha zona do campo, sempre dominámos com o De Bruyne e o Gundogan. Nunca houve uma equipa que conseguisse controlar o nosso meio-campo. Eventualmente, o Kanté. Foi um jogador muito forte. O meio-campo do Chelsea com Jorginho, Kanté e Kovacic era o único que eu olhava e pensava "estes aqui podem-nos fazer mal". De resto, havia meio-campos mais físicos que o nosso, mas não me impressionavam. Tens o Bruno [Fernandes] no United, obviamente, que não joga nada e não presta para nada (risos). O que ele está a fazer é impressionante. Nos anos que teve aqui, teve pouca ajuda à volta dele", defendeu sobre o compatriota.

"Foi uma geração tão bonita que acho que é injusto estarmos aqui a meter cada um acima um do outro"

O jogador formado no Benfica tem recebido muito apoio dos adeptos no Etihad e escutado mais vezes a música que lhe é dedicada. Estes têm pedido a construção de uma estátua à porta do estádio, mas o luso acredita que há vários que merecem.

"A letra original começa com Istambul, o palco original da final da Champions, e depois foi adiada dois anos seguidos e acabou mesmo por ser lá. Estava escrito que seria em Istambul. Adoro a música porque lembro-me sempre da final que ganhámos. O apoio que recebo é impressionante. Percebo o amor e o carinho. Aquilo que vivemos juntos nestes nove anos foi espetacular e vai ser difícil de replicar. Se olharmos para esta geração com De Bruyne, Gundogan e os que ainda cá estão como o Rúben e o Rodri, se fizeres [uma estátua] para um. Tens de fazer para cinco, seis ou mais. O Walker esteve cá muitos anos, o próprio Éderson. Foi toda uma geração em que todos à sua maneira contribuíssem. Eu adorava [que me fizessem uma estátua], claro que adorava e era uma coisa bonita. Mas, não acho que faça sentido. Os únicos que têm são o Kompany, o Aguero e o David Silva porque foram os que deram uma mudança do panorama do clube. Quando nós chegamos, o clube já era um clube com bastante sucesso. O Kevin para mim é o melhor jogador da história do City. O Gundogan marca dois golos na última jornada frente ao Aston Villa que nos dá o campeonato e também marca dois golos na final da FA Cup que vencemos 2-1 ao United. O Rodri marca o golo da final da Champions. Eu consigo lembrar-me de momentos de cada um que são icónicos. Cada um fez uma coisa difrente. Foi uma geração tão bonita que acho que é injusto estarmos aqui a meter cada um acima um do outro", argumentou.

"Acho que não vou chorar na despedida. Não me imagino a chorar, mas não sei. No momento, pode ser que sim. Agora olhar para o Rúben, o Matheus e malta com quem estive tantos anos e que significam tanto para mim e sentir que é a última vez que vou jogar com alguns deles dá-me arrepios obviamente. É uma família. A forma como todos me tratam facilita imenso a vida da minha mulher e da minha filha. Eles ajudam-nos com tudo. Eu nunca estive num clube assim, deve haver muito poucos no mundo. Eu falo com outros que conheço e jogam ao mais alto nível e é muito difícil. Há uns que chegam cá e dizem-me que não vou ter isto em mais lado nenhum. Não vou dizer os clubes obviamente, mas eram clubes de topo", confidenciou.

Por: J.M.

1
Deixe o seu comentário
Newsletters RecordReceba gratuitamente no seu email a Newsletter Premium ver exemplo
Ultimas de Man. City
Notícias
Notícias Mais Vistas